terça-feira, 8 de maio de 2012

acostume-se ou ame.

Não, eu não gostei desse layout novo do blogspot. Sim, eu vou me acostumar com ele, assim como tudo na vida. Na verdade, muito do que a gente se acostuma normalmente é porque não gosta. Se gostássemos não haveria porque se acostumar, não é mesmo? Eu, por exemplo, me acostumei com os barulhos dos vizinhos, com gente que se acha cult porque escuta The Killers, com torcedores que não sabem perder, com gente que critica música estrangeira enquanto ouve 'Eu quero tchu, eu quero tcha'. Acostumei-me visando uma vida sem fadigas, algo total Jaiminho feelings.
Há porém o outro lado, o de idolatrar coisas que a primeira vista foram detestáveis, mal interpretadas ou desinteressantes. Isso acontece muito comigo, algo na vibe que meu querido Fernando Pessoa disse em um dos seus brilhantes momentos de sabedoria: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Veja só a irônia do destino: eu nunca me interessei por qualquer coisa que viesse do outro lado do mundo, no entanto, hoje 90% das músicas que ouço são coreanas, os programas de tv que vejo são japoneses/coreanos, e o povo que eu admiro abissalmente é o asiático. De vez em quando me pego pensando 'por que raios eu não me interessei por isso antes?'. Sério, eu perdi muito tempo tapando os olhos, os ouvidos e com o cerébro revestido pela ideia de que não tivesse nada lá que me entretesse. Ai, Bruna, do me a favor! Eu que sempre fui cabeça aberta, demorei pra descobrir talvez a única parte de mim que estava coberta. Daí você pode se perguntar, 'o que te fez olhar pro lado, Bruna?'. E eu respondo: Música, como sempre. Sempre a melhor coisa do mundo: música. Foi assim quando me interessei pelo idioma russo, quando me interessei pela cultura francesa, e não seria diferente em relação ao oriente.
Dentre todas as culturas que já busquei aprender um pouco, penso que a asiática é a que eu mais me dediquei - e ainda me dedico. Aplaudo de pé as culturas (por enquanto, japonesa e coreana) tão ricas de detalhes e significados (tal como é qualquer cultura) principalmente por serem tão diferentes da minha. Eu a-do-ro tudo que é diferente de mim ao ponto de querer me inserir no meio disso. Vejo tudo que é novo como a possibilidade de me entreter. Se algo me entretem é certo que eu vou amar. E velho, na boa, amo muito, mas muito mesmo, tudo que veio junto nessa imersão cultural. Poucas coisas são cativantes ao ponto de despertarem o interesse de deixar de ser desconhecido para ser amado. E são essas que não são as quais a gente se acostuma. Talvez eu me entretesse se soubesse o porquê dos barulhos dos vizinhos, o porquê da pessoa achar que ouvir The Killers a faz cult e entender o porquê tem gente que não sabe perder. Mas certamente há coisas bem mais empolgantes para serem descobertas e valorizadas.

"O ruim não é se decepcionar. O ruim mesmo é se acostumar com as decepções." Alesi Mendes F.U.

"Não deixe que o tempo transforme sua capacidade de amar em acostumar." Benilson Sousa

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