sábado, 29 de setembro de 2012

Fragmentos

Frag | Não pensei que esse discreto blog alcançaria esse tanto de postagens, e se eu escrevesse na frequência em que tenho ideias já teria passado dos 100 posts. Mas eu me contenho. Já é primavera, e veja só, meu post anterior foi escrito no outono. Não fiz isso de propósito, simplesmente me contive. Eu perdi boas ideias que tive durante aquelas horas que eu perco deitada antes de dormir. Várias ideias que se esvaíram no buraco negro e contorcido da imaginação noturna. Não sei o que me fez logar agora e começar a escrever, mas alguma ideia genial certamente não foi.

men | Hoje uma pessoa me disse que não era tão racional como eu. Fiquei pensando que saber que não se é tão racional já é um passo significativo para quem quer ser racional, ou mesmo menos emocional. É extremamente elucidativo saber quem se é para saber o que mudar quando algo incomoda. Às vezes a gente fica assim sei lá, né? E continua nesse quadro desanimador sem saber se vai ou se fica, se dorme ou se come, se ri ou se chora. É aquela típica situação que faz a vida ser cansativa. Mas é nesse momento que é bom refletir sobre si mesmo e o que a gente faz com a vida que tem. Porque nem sempre o estado de 'sei lá' é culpa do que a vida faz com a gente, mas como a gente lida com a vida.

tos | E quando a gente sabe onde quer chegar e a vida fica de brincadeirinha com a gente, hein? Bloqueando caminhos, escondendo as ferramentas, testando pra ver se a gente é capaz de chegar onde quer. É, eu pensava assim tempos atrás: a vida isso, a vida aquilo. E cara, na boa, não é nada disso, quem faz a vida que se tem é a gente mesmo. A gente se boicota, se testa, se obriga, se repreende e nem percebe. A vida é a gente.  

"Nunca deixe que as tristezas do passado e as incertezas do futuro estraguem as alegrias do presente." Autor desconhecido


"Lembre-se, hoje é o amanhã sobre o qual você se preocupou ontem." Dale Carnegie

terça-feira, 8 de maio de 2012

acostume-se ou ame.

Não, eu não gostei desse layout novo do blogspot. Sim, eu vou me acostumar com ele, assim como tudo na vida. Na verdade, muito do que a gente se acostuma normalmente é porque não gosta. Se gostássemos não haveria porque se acostumar, não é mesmo? Eu, por exemplo, me acostumei com os barulhos dos vizinhos, com gente que se acha cult porque escuta The Killers, com torcedores que não sabem perder, com gente que critica música estrangeira enquanto ouve 'Eu quero tchu, eu quero tcha'. Acostumei-me visando uma vida sem fadigas, algo total Jaiminho feelings.
Há porém o outro lado, o de idolatrar coisas que a primeira vista foram detestáveis, mal interpretadas ou desinteressantes. Isso acontece muito comigo, algo na vibe que meu querido Fernando Pessoa disse em um dos seus brilhantes momentos de sabedoria: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Veja só a irônia do destino: eu nunca me interessei por qualquer coisa que viesse do outro lado do mundo, no entanto, hoje 90% das músicas que ouço são coreanas, os programas de tv que vejo são japoneses/coreanos, e o povo que eu admiro abissalmente é o asiático. De vez em quando me pego pensando 'por que raios eu não me interessei por isso antes?'. Sério, eu perdi muito tempo tapando os olhos, os ouvidos e com o cerébro revestido pela ideia de que não tivesse nada lá que me entretesse. Ai, Bruna, do me a favor! Eu que sempre fui cabeça aberta, demorei pra descobrir talvez a única parte de mim que estava coberta. Daí você pode se perguntar, 'o que te fez olhar pro lado, Bruna?'. E eu respondo: Música, como sempre. Sempre a melhor coisa do mundo: música. Foi assim quando me interessei pelo idioma russo, quando me interessei pela cultura francesa, e não seria diferente em relação ao oriente.
Dentre todas as culturas que já busquei aprender um pouco, penso que a asiática é a que eu mais me dediquei - e ainda me dedico. Aplaudo de pé as culturas (por enquanto, japonesa e coreana) tão ricas de detalhes e significados (tal como é qualquer cultura) principalmente por serem tão diferentes da minha. Eu a-do-ro tudo que é diferente de mim ao ponto de querer me inserir no meio disso. Vejo tudo que é novo como a possibilidade de me entreter. Se algo me entretem é certo que eu vou amar. E velho, na boa, amo muito, mas muito mesmo, tudo que veio junto nessa imersão cultural. Poucas coisas são cativantes ao ponto de despertarem o interesse de deixar de ser desconhecido para ser amado. E são essas que não são as quais a gente se acostuma. Talvez eu me entretesse se soubesse o porquê dos barulhos dos vizinhos, o porquê da pessoa achar que ouvir The Killers a faz cult e entender o porquê tem gente que não sabe perder. Mas certamente há coisas bem mais empolgantes para serem descobertas e valorizadas.

"O ruim não é se decepcionar. O ruim mesmo é se acostumar com as decepções." Alesi Mendes F.U.

"Não deixe que o tempo transforme sua capacidade de amar em acostumar." Benilson Sousa

quinta-feira, 29 de março de 2012

ela e ele.

Recentemente - uns 3 anos - fui apresentada a ela. Foi um encontro super repentino e, na verdade, os motivos que fizeram cruzar os nossos caminhos são totally dispensáveis, mas se teve que ser assim então cabe a mim aceitar. A cada ano nós estamos nos aproximando mais, tal como se tivéssemos curiosidade de saber mais sobre cada uma de nós. Eu, no auge da minha sinceridade marota, não tenho interesse em aprofundar a nossa relação porque já estamos num nível de intimidade insana. Eu desejo todo dia que ela reveja os próprios conceitos e se afaste do meu cotidiano. But, eita bicho metido! Nonsense total, pelamor. Ela é absurdamente desagradável e altamente incompreendida pela sociedade. Sei disso porque passo noites em claro com ela - entendo-a e sei das suas fraquezas. Aliás, confesso: ela já foi levemente interessante - assim, em tom nude - quando ajudava a desenvolver a minha criatividade. Não sei o que houve, mas não rola mais uma vibe sadia entre a gente. A palavra certa é: desnecessária. Digo isso dela porque levando a vida que se leva por aqui, o horário que ela surge só atrasa o desenrolar de uma suposta vida saudável. Por exemplo, eu, bem, eu nunca fui um exemplo de vida regrada mas depois que ela apareceu...vish, o meu relógio biológico quebrou. Eu comecei a ter uns receios idiotas, umas dúvidas toscas, umas idéias refutáveis, uma vida desregulada. Como se não bastasse eu ter que aguentá-la, ela fez a arte de me apresentar a um amigo. Ainda se valesse a pena, mas não. Ele não é mais alto que eu, não tem a voz grave sedutora, não é moreno de olhos verdes nem um coreano talentoso. Ele não é educado, não é cult nem pop, não é bem quisto pela sociedade, e assim como ela só deixa as coisas pra depois. Postergador nato. Vive pelo mundo, é poliglota mas só fala asneiras. Ou seja, não é meu tipo ideal, e o pior: vem me ver todos os dias. Véi, na boa, me mira mas me erra. Todo dia, mentalmente, eu peço pra que ela e esse serzinho se dêem as mãos e runaway from me. Eu deixo de fazer coisas interessantíssimas por causa desses dois, quando na boa, não recebo nada de bom como recompensa. Além de abusarem do meu tempo, ainda me deixam super cansada quando eu tento viver o tempo que ainda tenho alone, pois sempre fico à espreita pra que eles não me vejam. Eu sou um ser abissalmente paciente, mas com essa dupla eu não tenho mais muito ânimo pra me manter calma. A culpa maior é do amigo, ser imprestável e preguiçoso. Sério, dica de quem te quer bem: se você encontrar com a Insônia ou com o Desemprego, não dê trela pra eles. Grave esses nomes: Insônia Emburrecedora e Desemprego Retrogrado. Duplinha inconviniente. Veja só, são 3:25 e eles ainda estão aqui procurando simancol nos armários e sites de farmácias.

"O desemprego é um ócio duro de roer." M.M.Soriano

"Insônia, pode pegar a passagem. Não sentirei saudade." Dani Leão

"Você não é depressivo, bipolar ou tem insônia. Somente fica triste às vezes, muda de humor e dorme tarde." Came Deltanu

"Queria viver mais e agradecer à insônia por me livrar dos pesadelos." Taíssa Cazumbá

sábado, 14 de janeiro de 2012

saudade

sentir falta não é o mesmo que sentir saudade, né? quando eu vejo nos filmes o boyzinho dizendo pra mocinha "I miss you", eu sempre penso "o que ele quis dizer com isso?", por que na real, ele sentiu falta ou saudade? essas pessoas que não falam português e portanto não tem alguma palavra com o significado que tem a nossa "saudade", nunca saberão definir o que sentem quando sentem saudade? porque obviamente elas a sentem, e como é chato sentir sem saber o que se sente, né? eu agora, por exemplo, vendo o clipe de Say It Right da Nelly Furtado feat. Timbaland fico extasiada de saudade. 2007, o ano. facul, o lugar. ele, a pessoa - e a surpresa. eu não esperava conhecê-lo, muito menos daquela forma e via. eu era alguém que iniciava uma fase que hoje, 2012, já acabou. e naquela época eu não cogitava a ideia de que aquela fase me traria as pessoas que trouxe, as circunstâncias que vivi, as tristezas que superei e as alegrias que acalentaram meu heart. é a saudade no topo da sua essência. eu não sinto a mínima falta do meu passado.

eu sinto saudade daquele ar que eu tinha. não gostaria de ser daquele jeito hoje, mas eu sinto saudade porque eu entendo que eu não seria como eu sou se não tivesse sido quem eu fui. eu não era lá grandes coisas no quesito sentimental. e quando eu me vejo hoje, continuo não sendo, mas seria muito menos se não tivesse aprendido o tanto que aprendi. porque, no fundo, a gente nunca pode se considerar grandes coisas já que a vida sempre vem com uma nova lição de casa pra gente fazer e ver que um tema concluído não completa o caderno todo.

eu nunca mais o vi, faz mais de um mês que eu não vou lá e há meses não cogito a ideia de fazer coisas que em 2007/2008/2009 eu cogitava prematuramente no auge da minha platonice. e sabe, quando eu escuto músicas desses anos, as quais me acompanharam em idas e vindas, eu consigo reviver o sentimento que eu sentia quando as ouvia naqueles áureos tempos. é uma dor anestésica. às vezes é um sentimento de que valeu por ter tentando, o qual é semelhante ao de estar feliz por estar tentando (isso me enebriava naqueles tempos). eu tentei. e tanto. hoje me pego pensando nas tentativas infrutíferas e não lamento pelo fruto não colhido, pois sei que a culpa não foi minha - a semeadora, mas foi da semente que não quis brotar.

"Eu mesma não entendo minha enormíssima paciência de ficar à toa, só pensando, pensando e sentindo." Adélia Prado

"saudade |a-u ou au|  (latim solitas, -atis, solidão)
s. f.
1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado." (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=saudade)

"No, you don't mean nothing at all to me
But you get what it takes to set me free?
Oh, you could mean everything to me" 
Say It Right - Nelly Furtado feat Timbaland