sábado, 17 de dezembro de 2011

whatever

Não seria o último de aula típico senão acontecesse algo atípico. Aconteceu. 13/12/11. Lembrando agora, houve dois últimos dias: o do trabalho e o das aulas. Houve também o dia da banca e, bem, aconteceu. Por várias vezes aconteceu e eu não permiti que de fato se desse por completo. Eu e as minhas já tão conhecidas migalhas. Pra mim não passava de mais uma platonice aguda com o mesmo fim de todas as outras. Na verdade me encantava o fato de eu ainda ter espírito para esse tipo de coisa tão passada na minha vida. É verdade também que nunca sustentei isso da mesma forma que já havia feito. Talvez tenha tratado isso com um certo desdém de ‘whatever’. E foi de whatever em whatever que nos encontramos involuntariamente no dia 13/12/11. O que eu me questiono diante de tantos encontros desencontrados é ‘como pode acontecer isso NO ÚLTIMO DIA de aula?’. Tivemos o ano INTEIRO, MANHÃS, TARDES e NOITES a revelia e puff ‘NEVER'. É bem certo que a primeira vez foi no quarto dia de novembro. Era o último dia de trabalho e WHATEVER que eu fizesse qualquer coisa. O meu amigo destino colocou uma escada e dois homens no meu caminho – não era pedra nem dois homens e meio – e o que eu podia fazer senão me apresentar de um jeito peculiar, já que um deles era ele? Oi, eu sou a Bruna – com uma caneta na mão, segurando como se fosse uma faca afiada para a luta do ano – e você é o fulano – apontando a faca caneta pra ele, enquanto o sujeito buscava na sua memória descobrir quem era a louca na sua frente. Esboçou um leve sorriso como se assentisse a localização de uma Bruna semi-conhecida na sua memória. Eu não parei. Me senti uma estrela cadente sem tempo pra se expor para apreciação.
Well, depois disso eu já me dei por contente. Tinha me apresentado ao semi-conhecido que queria me conhecer. Agora ele sabia que eu não era um blefe e que eu existo. Mas bem, whatever.
Passados 26 dias, estava eu esperando os professores da banca da minha monografia e, a toa sentada na sala dou uma espiadela pro corredor e quem avisto? Exatamente, whatever. Ele não me reconheceu ou whatever, quem sabe não tenha gostado de eu não ser mais uma total semi-conhecida, talvez fosse melhor eu voltar ao nível de semi-desconhecida. Whatever. Cada macaco no seu galho, né?
Já tinham sido dois whatever e já bastava. Tudo bem que passava pela minha mente torpe as várias possibilidades e se’s, but WHATEVER, nada ia acontecer mesmo. Abstrai, Bruna, abstrai.
Abstraí tanto que fui total relax pra última prova de francês no último dia de aula. Fui com a roupa e o espírito de alguém que queria ter ficado em casa tumblrando e papeando no msn about coisas sem relevância social ou política like música estrangeira e outras amenidades que animam a minha não mais bored life. C’est la vie. Fui, cheguei, desci, caminhei, parei, prendi o cabelo again, dei menos de 5 passos e BÓH: without whatever. Não tive escapatória. Ou eu virava à direita e levava o título antipatia do ano ou eu seguia em frente e fazia qualquer babaquice tal como fiz com a caneta há um mês. Topei me arriscar e levar o título boboca da década. Não sei se levo, but WHATEVER. Parei, esperei ele se apresentar, afinal de contas eu ainda não tinha ouvido a sua voz – a qual diga-se de passagem é muito bonita. Ouvi seu nome e disse o meu again. E disse tantas outras coisas que, meldels, daonde eu tirei tanta coisa? Eu não era assim. Por que mudei? E, principalmente, como o fiz? Logo eu que sou uma pessoa-whatever. Ou fui?
O que eu disse não vem ao caso, porque o mais surpreendente pra mim – tirando o lance de ser o último dia de aula e já ter me acontecido tantas coisas nessa data em anos anteriores – é que o cara é MUITO mais interessante do que eu pensei que fosse. Aprecio sua voz, as conjugações e concordâncias bem desenvolvidas. Eu o imaginava totaly diferent, oh gosh you surprised me again. A conversa deve ter durado uns 10 minutos e bah. Eu precisava ir pra aula, e ele pra casa. Então no fim das contas, tudo continua igual, cada um com o seu destino e whatever.

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes

Tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.
Clarice Lispector