segunda-feira, 13 de junho de 2011

mais uma análise

Se eu pudesse passar a minha vida ouvindo música e assistindo a filmes, eu o faria. É um jeito macio de aguentar a dor, embora minhas dores estejam anestesiadas por enquanto. Pensando bem, se passasse a vida entretida nessas fugas eu não teria do que fugir já que não viveria nada. Ficar em casa longe do mundo é a autodefesa mais covarde que pessoas com medo de viver desenvolveram. Isso acontece porque viver implica em sofrer, logo fere e dói. Eu me dediquei exauridamente em praticar o antissocialismo (com dois ss mesmo) durante duas décadas. Fiz isso porque era conveniente e divertido. Não pretendia me esconder de alguém específico nem me esquivar de situações comprometedoras. Eu só não gostava do mundo, eu não via o lado bonito das pessoas. Consequentemente, nem elas viam o meu. Agora analisando a minha solitude, eu entendo que fui eu mesma que me dei esse presente de grego. Culpa minha. Porém, todo esse tempo de exercício antimundo me trouxe ao ponto que estou hoje. Eu não seria assim se não tivesse sido como fui. O mais bárbaro disso é que eu gosto de quem eu sou. Principalmente por ter mudado. Tem gente que cresce e regride. Tem outros que não mudam. E tem os que não aceitam a mudança. E o pior, tem os que mudam mas não assumem o passado que tiveram. O passado não é um bicho papão, é só um cara bonito que vai te impressionar quando você dedicar alguns minutos pra pensar nele antes de dormir. Vocês ainda vão identificar pontos em comum e se agradecerem por serem francos. Você diz pra ele o que pensa a respeito do que ele é, então ele te diz quem tu pode ser. Eu estou assim, tenho um caso de amor com o que eu aprendi com meu passado enquanto ouvia música e via filmes.


"I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognize your beauty's not just a mask
I want to exorcize the demons from your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart"
Undisclosed Desires - Muse

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