sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dum dum da da-da, da-da-da da-da

I won't cry for you
I won't crucify the things you, do, do, do
I won't cry for you
See, when you're gonna still be Bloody Mary


Nesses dias, passados rápidos e despercebidos, meu amigo-irmão-camarada Lu(lu Santos) Ott contactou-me para a notícia do ano: vazou o Born This Way. E-mail e Twitter. Ele sabia que isso surtiria efeito sobre mim. Não surtiu. Enviou-me o link para baixar. Baixei meio contra gosto. Abri o arquivo: não era o álbum da Gaga. Oh shit, it's wrong! Desanimei e mandei ele pastar. Não demorou muito, veio ele do pasto me dizer que o cd era tão ruim quanto o flopado Bionic da Christina Aguilera. Espertinho que só, não se deu a vergonha na cara de me enviar o link certo. Que amigo é este? Disse a ele que um dia eu baixaria. Estava dando a mínima, afinal pouco importa. Deve ter passado uns dois dias quando um colega de trabalho veio até a mim e soltou a máxima: O que tu achou do cd da Gaga? Ora, o destino me pressionando para ter uma opinião sobre o lançamento do ano. Não ouvi ainda - disse eu observando a empolgação do colega. Eu tenho ele aqui, quer? Educado que só, foi um gesto de cortesia, afinal, foi eu que o apresentei ao Femme Fatale. Quero. Quero? Sim, me pouparia acessos ao Orkut ou 4shared até encontrar o link correto que o imprestável do meu único amigo não se deu o trabalho de me enviar. Enquanto copiava o arquivo no meu pen drive, meu colega tagarelava a respeito das músicas. Born This Way e The Edge Of Glory são as preferidas dele Compreensível já que é gay. Todo gay gosta de quem faz músicas para eles e sobre a causa deles. Compreensível. O que me ocorre agora é que a preferida dele de todo o trabalho da Gaga é a miserenta Telephone! Meu Deus, Telephone! Aquela com um clipe tosco, com um feat da mais nova loira oxigenada do mundo pop, Beyoncé Knowles. Credo. Que me dissesse que a melhor fosse Poker Face, Paparazzi ou até a horripilante Bad Romance, mas Telephone não! Gosto é muito particular MESMO. Eu me atrevo a dizer que a melhor música da Gaguinha é Alejandro. Essa sim. Recordo-me de quando ouvi pela primeira vez a demo bem diferente da versão final. Paixão à primeira ouvida. E a letra? Per-fei-ta. Eu toda vez que a ouço imagino um clipe muito mais humano e coerente do que o gravado. Eu deveria ser roteirista, cara. Bem, depois deste adendo volto ao assunto: chegando em casa abri a pasta e me deparei com 14 faixas em m4a. Oh shit, mais essa! Converter já. Converteu e eu me dei o dispendioso luxo de ouvir uma por uma para ter subsídios em uma futura crítica. Play.

A primeira, Marry The Night é ótima. E a escolha dela para ser a primeira do álbum foi a dedo. É boa pra arrumar o quarto naqueles dias em que o desânimo toma conta. A segunda, Born This Way, eu fiz questão de não ouvir. Afinal, eu não mereço emprestar meus ouvidos para o que eu sei que não me agrada. A faixa três Goverment Hooker, que já não me atrai desde quando eu vi o seu nome, é umas da que eu não curti. Muito anos 90 pro meu gosto. A música seguinte é Judas. Bendito Judas. Viciante. Logo que saiu na web eu achei uma grande porcaria. Mas depois, não sei porque, viciei. Deve ser o efeito isolador dessas persianas cinzas, do meu local de trabalho, que eu vejo todos dias na minha frente. Qualquer coisa se torna uma válvula de escape. E o clipe? Gostei também. Não entendi bulhufas, mas aprecio a idéia de gravações a céu aberto. Seguindo o baile, cheguei na Americano. Não sei ainda se gosto ou não. Ela me lembra a Don't speak americano do Yolanda Be Cool. Ou seja, um tanto hilária e que não pega confiança. Depois dela vem a Hair, que também estava na web antes de tudo vazar. Quando ela foi disponibilizada eu realmente não tinha curtido, mas ouvindo agora para escrever esse post até que é boazinha. Nota 5 pra ela, podendo chegar a 8 daqui há uma semana. A faixa sete, meu número, é muuuuito boa. Eu já a conhecia de outros carnavais, porém não na versão final. Se trata de Scheiße, merda em alemão, tem a letra complicada. Gaga diz I don't speak German but I wish I could - bem que ela tenta. É a típica música de desfile. Certo que entraria no álbum das 15 melhores do Celso Portiolli.
Então, mais ou menos nessa hora eu comecei a pesquisar sobre o que os fãs dela estavam achando sobre o álbum vazado. Na comunidade dela no Orkut tinha de tudo. Tinha até a track list com 17 músicas. SIM, me faltavam 3 e eu não sabia. Quem me conhece sabe que preciso dos álbuns completos pra ser feliz. Fui até a minha mina de carvão e encontrei o diamante, aliás, dois: o cd com 17 faixas e o disco 2 da versão deluxe com remixes. Rá. Baixei as faixas que me faltavam e renomeei os arquivos. Os números eram diferentes e os que eu disse aqui certamente estão errados, porque o cd que tenho comigo now é o com 14 faixas. Sorry.
Voltando ao raciocínio lógico: a faixa que procede Scheiße é a magnífica, a majestosa, a incomparável, a insubstituível, a insuperável Bloody Mary. Oh Jesus! Por essa eu não esperava. Merecia um post exclusivo. Mas vou me segurar. Bloody Mary é inimaginável. Começa como música sapeca, como se fosse trilha de Esqueceram de Mim, quando chega aos 10 segundos parece O Fantasma da Ópera e logo começa a batida a la Gaga. Genial! E a letra? Show! Revoltstotal. Música de labirinto, monastério e manicômio. Música que tem a obrigação de ser single, ter um clipe bafônico, ficar no topo dos charts mundo afora e concorrer ao Grammy. A melhor de Born This Way sem sombra de dúvidas. E se não bastasse ser perfeita, Gaga ainda fala em português no final: liberdade e amor. Dum dum da da-da, da-da-da da-da. Divina.
O que vem depois quase pouco importa, mas vou falar porque tem músicas boas. Se bem me lembro, a música seguinte é uma daquelas três que não tenho aqui: Black Jesus Amen Fashion, Fashion Of His Love e The Queen. Dessas só a última é audível e é ma-ra, as outras não passam de um amontoado de barulhos que não tem futuro nenhum. Bad Kid é a nove daquelas 14. Excelente. Desse cd essa deve ser a música mais boca suja, embora o som às vezes pareça doce. "Don't be insecure if your heart is pure/ You're still good to me if you're a bad kid bad." É agitadinha e boa pra distrair. Highway Unicorn (Road 2 Love) é óóóótima. Dançante, crazy e com uma letra fora da casinha. Repetitiva do início ao fim, mas muda o ritmo de uma hora pra outra. Gaga grita como se tivesse suplicando. Indefinível, por isso ma-ra. É uma das canções junto com Scheiße em que a gente percebe a voz linda da Lady Gaga. Heavy Mental Lover, musicalmente nada a ver com a Gaga. Não consigo nem imaginar a que isso se aproxima. Muito eletrônica pro meu gosto. Não precisava ter entrado no álbum. Electric Chapel é uma amostra do que mais se aproxima de um possível rock em Born This Way até os seus 30 segundos iniciais. Depois eu tenho a leve impressão de estar ouvindo uma música chinesa-coreana-seiláoque. E lá pelos 1:30 o rock volta seguido de um coreano meio russo que é o inglês natural dela. Me explica, Stefani Germanotta, o que você tentou fazer e não conseguiu? Vamos até a capela elétrica e você nos conta, tá? Obrigada. You and I já curtia há tempos, mas não quero como single. The Edge Of Glory não curti, desculpe.

No fim das contas, o álbum que tinha tudo pra fracassar se superou. Sete faixas excelentes, cinco sem sal, três levemente apimentadas e duas sem nexo. Parabéns, Lady! You're the queen. Mas no próximo álbum não me venha com papos gays, apóstolos e o clero todo, tá? Um só basta. O álbum todo é um culto. Gaga recria cânticos em todas as músicas. É como se quem ouvisse passasse todas as músicas rezando. Só não sei sobre o que é a oração. Ao pop, à Gaga, à música, whatever.

PS: Todas as roxinhas são nota 10 e merecem ser singles. As verdinhas são nota 5 podendo alçar grandes voos. As vermelhinhas são horriveizinhas. E as rosas dão um choque no bom gosto




"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música." Aldous Huxley

"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode permanecer em silêncio." Victor Hugo

"Sempre tive a impressão de que a música fosse apenas o extravasamento de um grande silêncio." Marguerite Yourcenar

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