quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ida à civilização

Acordei mal, muito mal. Daquele jeito que não gosto. Daquele jeito que fazia teeempo que não acordava. Aliás, acordei todos os dias dessa semana desse jeito. A faca no peito. Embora isso aconteça, tenho me feito de forte e executado manobras brunianas para ignorar tal dor. Titubeei ao acordar: almoçarei qualquer coisa ou me dou o trabalho de ir até o centro de NH degustar um Subway de graça, apesar de ter que gastar com transporte? Dúvida cruel para uma capricorniana. A faca no peito me deixou na primeira meia-hora do dia imóvel. Não queria sacar 10 reais, comeria qualquer porcaria e fingiria satisfação. Mas, logo ao chegar na Feevale e receber a luz do Sol bem no meio da cara me avisando que se eu fizer sempre a mesma coisa vou ter sempre o mesmo resultado. E hoje eu não queria o mesmo. Eu queria aliviar a dor. Eu aliviei a dor. Eu tive as 3 horas mais felizes e revigorantes da semana. Às 11h eu saquei 10 contos, fui pra parada e como se soubesse qual ônibus pegar, fiquei lá esperando. O ônibus viria, ele sempre vem. O que não vem são as respostas para quem eu tenho perguntas. Mas enfim. Continuando o raciocínio do dia feliz: Primeiro parou um ônibus duvidoso, que obviamente teria o destino que eu queria, mas como capricorniana desconfiada que sou, exitei. Logo depois veio aquele que dizia qualquer coisa no letreiro luminoso. Era o certo, também. Eu comecei a sentir sintomas de felicidade já quando me acomodei no transporte: vou passear – pensava a solitária feliz da vida. Mas eu desço aonde? – a capricorniana querendo semear a discórdia e cortar os meus baratos de felicidade oca. Sobe, vira pra direita, desce, dobra pra esquerda: para, tá bom aqui. Óbvio que tava ótimo, tava mais perto do Subway do que eu poderia querer. Se fosse mais perto seria lá dentro. Não devo nem ter dado 100 passos e pluft: que lugar bonito! É de fato um restaurante bem atrativo, acima de tudo porque estava vazio. HAHAHA Como funciona? – a capri pensava a mil por hora. Agi com tamanha naturalidade que até eu acreditei que já fui lá trocentas vezes. Falei do que se tratava: bóia de graça. O que vai querer? – perguntou a atendente. O que eu vou querer? Meu Deus, ela fez a pergunta para qual eu tenho mais respostas. Eu poderia estar lá até agora listando o que eu quero. Elencando as minhas urgências, classificando as mais importantes e me questionando por quê é que não as tenho. E tenho a resposta aqui e agora: não tenho porque não depende de mim. As minhas perguntas não tem respostas porque não são direcionadas a mim. Ora bolas. O que eu vou querer? – pensava eu, eu quero as respostas. Eu quero ser lembrada, eu quero que quem colocou a faca no meu peito a retire e não ouse me magoar outra vez. Eu magôo alguém? Eu esfaqueei alguém? Não, não dou dessas. E porque são desses comigo? O que eu fiz?

Eu fiz um Subway no capricho. Pão branco, calabresa, queijo suíço, tomate, pepino, orégano e maionese: a visão do paraíso bem na minha mesa. DE-LI-CI-O-SO. Quero mais. Quero todos. Quero ficar assim, serena. E o que eu faço agora? – pensava a capri querendo manter tudo certo. Eu esperei umas meninas se levantarem pra ir embora e fiz o mesmo: deixe os apetrechos em cima da mesa. Não havia o que fazer, o certo era fazer nada. A sujeira não era eu que limpava. Saí, e segui meu rumo. Onde vou? Que cidade MARA. Que movimentação contagiante. Que merda de cidade que eu vivo. Que dia lindo. Que tudo. Na primeira oportunidade de entrar em algum espaço grande, pimba: a Bruna fez. Big. Tudo grande. Ai, gentche, o Big não era assim da última vez que entrei  – pensava a colona que deve ter entrado no Big em 2000. HAHAHAHA Tosca. Restaurantes, lojas, loteria: como assiiiiiiiiiiiiiim, isso não era assiiiiiim? Que beautiful. Eu estava maravilhada, eu estava em meio à civilização. Eu estava em um mercado que presta, em um mercado que tem tudo e de todas as marcas.

Eu não contive a emoção de estar em um lugar tão espaçoso, limpo, agradável e tão parecido com o Carrefour. Mãe, adivinha onde eu estou? – perguntei ao telefone, toda serelepe querendo compartilhar alegria que sentia. Sim, eu estava feliz por estar num supermercado. Sim, pode rir, ria. Você não sabe quantas lembranças isso me trouxe. Eu passei a minha infância indo ao Carrefour, ir lá era pra mim garantia de diversão. Era um outro mundo. E hoje, estando no Big, eu estava no meu mundo da infância. Aquele em que eu não sentia dor da facada, aquele em que eu sempre acordava feliz, aquele que eu não tinha com quem me importar, aquele que eu nem sabia o que era se importar e ser importante, porque pra mim só existia a minha mãe. E minha mãe pra mim sempre foi como um órgão do corpo, não me desfazia nunca e não tinha com o que me preocupar porque estava comigo sempre. Eis a ironia, eu não estava com ela naquele momento, mas ela estava comigo. Eu sempre sinto que ela está comigo, mesmo estando longe. Eu estava pacas contente. Eu olhava para cada objeto e pessoa como se estivesse nascendo a cada meio segundo. Era tudo novo, novidade para os olhos fatigados. Eram corredores me convidando para percorrê-los saltitando. Não o fiz, porque caminhava rápido, eu tinha sede de me sentir em êxtase com a música ambiente. Eu só pensava: era disso que eu precisava - além das respostas que ainda quero ouvir. Mas enfim. Devo ter atravessado aquele mercado em menos de 3 minutos. Mas fiquei por lá quase meia-hora. Pronto, chega. Tem mais diversão lá fora. Por onde eu saio?. Havia tantas opções, assim como há na vida. A capricorniana me respondeu: pelo mesmo lado que entrou. Sai pensando: por que não venho mais vezes aqui? É tão perto e tão gratificante. Por pura preguiça e solidão. Os males que empurram o mundo. Após uns passos e ruas atravessadas, eu empurrei a porta do shopping! SHOPPING, espaço que reúne lojas, cinema e praça de alimentação. SHOPPING, aquele espaço, Bruna, que fazia mais de dois anos que tu não colocava os pés. SHOPPING, na próxima postagem.

1 blábláblá:

Luan Ott disse...

Maldita falta de parágrafos, mas... né?

Sabe que eu entro em lugares tão comuns e fico relembrando momentos assim? Me identifiquei com esse post.

Shooow.

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