terça-feira, 29 de março de 2011

Em Taquara não se pode querer muito

Em outros tempos, eu pediria de volta as mais de 5 horas que eu perdi assistindo ao Carnaval de Rua de Taquara. Hoje, eu vou fazer de conta que gostei da mesma forma que quem estava na Júlio de Castilhos fingiu estar na festa mais popular do país. Não sei o que o público estava aguardando, tamanha a sua perplexidade diante dos blocos que desfilaram. Se estavam esperando a comissão de frente da Unidos da Tijuca ou o trio elétrico da Ivete Sangalo, só lamento, mas não é em Taquara que vão encontrá-los. É preciso desembolsar uma quantia nada modesta e viajar algumas milhas pra se ter aquilo que tem de graça na televisão.
Se fôssemos dar notas ao carnaval taquarense, o resultado seria nada animador. Aliás, tão desmotivador quanto a participação do público que se fez presente – de corpo, porque de alma vai ficar para o próximo Carnaval. Nota zero para samba no pé e sorriso no rosto a quem assistiu ao evento como se tivesse em pleno desfile de 7 de setembro. Nota zero também para a educação dos pais que levaram menores de 12 anos pra festa. Além de deixá-los dispersos pela rua, não tiveram dó alguma das crianças de colo, que a essa altura devem ter uma perda auditiva desconfortável e irreversível. Pobres anjos que, na onda da imprudência de quem não sabe educar, se prejudicam sem consentimento.
Falta de bom senso, aliás, foi marca registrada desse Carnaval. Atraso para iniciar o desfile, porque a pontualidade a gente deixa para os britânicos. Intervalos entre as escolas maiores do que o percurso todo, porque quem espera sempre alcança. Pessoas caminhando na pista, porque a educação a gente deixa em casa. E, pelo que vi, apenas quatro policiais da Brigada Militar, os quais ou caminhavam em quarteto ou em dupla, porque, você sabe, é perigoso andar pela cidade sozinho. Mas, o que conseguiu ser pior desse evento foi o Taxixi. Aquela coisa ridícula que na falta de um bom texto e um locutor que não gritasse no microfone, perdeu o ‘time’ da piada e mandou embora um bocado de gente. Não contentes, ousaram no auge da noite desafiar quem ali ainda estava para uma segunda apresentação que, graças a alguém com noção, não durou muito tempo.
Nota 10 para o pessoal que estava em suas sacadas, curtindo o som com toda animação, como deveriam estar as pessoas que permaneciam mais próximas das escolas no chão. Nota 10 também à Unidos de Sapiranga, que, com bom-humor se apresentou, aproximando-se daquilo que se espera que seja um desfile de Carnaval.
O que fica de lição é que Taquara ainda tem muito que aprender, principalmente no quesito organização e gosto artístico, vide o pórtico alusivo na Júlio – me desculpe quem o fez – de muito mau gosto.

Oh yeah, baby. Esse texto foi escrito e publicado no Jornal  Panorama no mês passado. Não tenho o hábito de postar o que já foi publicado em outros meios, mas eu gostei desse meu texto. Gosto de falar a verdade sobre a minha cidade. #revoltstotal O texto também está disponível em http://www.jornalpanorama.com.br/?p=30019

Ah, gente fina, tem um outro texto que também foi escrito por mim e publicado no Panorama: http://www.jornalpanorama.com.br/?p=16887 Este eu fiz em 2010 em um momento TOTALREVOLTS.


e só pra constar, eu tô tão bem como há muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tempo não ficava. tchurururu.

0 blábláblá:

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