domingo, 30 de janeiro de 2011

Só falta a recompensa

A panturrilha daquele ser é coisa de jogador de futebol. Claro, ele jogava. É gremista. Fiquei sabendo. Quem me disse? ELE. Simples assim. Não, não foi tão simples assim. Sete é meu número favorito. Será o dele também? Ainda não sei. Só sei que foram sete dias, de domingo à hoje (é sábado enquanto escrevo e será domingo quando publicado), todo santo dia, eu fui lá esperá-lo sem ele saber. Sem saber quem ele era. Sem saber se ele voltaria. Sem saber o que eu fazia. Loucura. Meu apelido deveria ser Punky - a levada da breca. Sério. Bem, estavámos, Lu e eu, sentados no sagrado banco no parque, cujo o espaço comportava o tédio e uma pista vazia. - Onde está o pessoal da semana passada, Lu?. Na verdade, pouco me importava onde estavam, o que eu queria saber era onde ELE estava. Afinal, esteve ali há 7 dias, poderia voltar, não? Passaram duas horas e avistamos a água no deserto. Sim, alguém se aproximava da pista de corrida, correndo. Era um moço que não é baixo  nem alto, não é novo nem velho, não é Fernando nem Maurício. É Carlos. Descobri. Sim, era ELE. - Lu, ele voltou! É ele! Meu Deus!  -Sim, Bruna, é ele. Caramba, eu o reconheci. Gente, eu não esqueci. Aplausos para mim. Por essa eu queria, mas não esperava - o alzheimer esqueceu de mim. E as minhas pernas pareciam fazer o mesmo. Quanto mais ele se aproximava, mais elas, que são compridas e grossas, se amoleciam. Cara, pernas bambas e risadas compulsivas é sintoma de alguma coisa sentimental do tipo paixonite de 15 anos? Então, diagnostiquei tal fraqueza. Há quanto tempo não sentia isso! E a coragem, tá no bolso? Bem, o plano tava, e diga-se de passagem, estrategicamente anotado e autografado. E a coragem pra executar o plano, tá aonde? Não sei. Partir para o plano B quando o plano A parece idiota é o melhor a se fazer. Caminho para um lado, ele corre para o outro. Paro para caminhar para o outro, ele faz o mesmo. Difícil, hein!? "Não posso perder a oportunidade de novo, né?", era o meu mantra. "Opa, ele tá indo tomar água, logo, irá embora", era o meu pensamento dizendo pra eu fazer alguma coisa antes de me arrepender pela inércia. - Posso falar contigo?, eu me apropriando da função fática, como um rompante para a minha invisibilidade. - Pode. Cara, mesmo se não pudesse, eu falaria. Ou era ou era. Mas sou educada, e ele pareceu ser também. Nada de gírias babacas, nem grosserias. Apenas minhas respostas idiotas e ele falando como se me conhecesse há uma semana. Irônico, não? Falava como um jovem, mas parecia não se sentir como tal. - Não, não estou falando de mim. Apesar de ser coisa minha também. -  Gosta de esportes, e não aprecia multidões. Toma cerveja mas ingere mais refri. Sim, ele me disse. Bem, foram algumas coisas esparsas e estranhas para apenas uma volta conversando. Por fim, o que se sabe é que ele sabe o meu nome, o qual vai esquecer até amanhã, opa, já esqueceu. Fácil, fácil. Isso não tem importância, teremos tempo e voltas pra deixarmos de ser o desconhecido procurado e a Punky, a levada da breca que executa o plano B e não percebe se as indiretas dadas foram captadas, decodificadas e entendidas.

"All the crazy shit I did tonight,
Those would be the best memories"


"Há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer." Carlos Drummond de Andrade

"Eu prefiro o difícil, o impossível, o inesperado, e só." Clarice Lispector

"Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira." Carlos Drummond de Andrade

2 blábláblá:

Tiago Saldanha disse...

Greatest. Seems with someone that I see inside mirrors everywhere.

hinasama disse...

Vai dizer que coragem não é uma das melhores coisas da vida???!!! Pelo menos não ficamos naquela de "ah, e seu eu tivesse falado, que teria acontecido..."

Postar um comentário