sábado, 17 de dezembro de 2011

whatever

Não seria o último de aula típico senão acontecesse algo atípico. Aconteceu. 13/12/11. Lembrando agora, houve dois últimos dias: o do trabalho e o das aulas. Houve também o dia da banca e, bem, aconteceu. Por várias vezes aconteceu e eu não permiti que de fato se desse por completo. Eu e as minhas já tão conhecidas migalhas. Pra mim não passava de mais uma platonice aguda com o mesmo fim de todas as outras. Na verdade me encantava o fato de eu ainda ter espírito para esse tipo de coisa tão passada na minha vida. É verdade também que nunca sustentei isso da mesma forma que já havia feito. Talvez tenha tratado isso com um certo desdém de ‘whatever’. E foi de whatever em whatever que nos encontramos involuntariamente no dia 13/12/11. O que eu me questiono diante de tantos encontros desencontrados é ‘como pode acontecer isso NO ÚLTIMO DIA de aula?’. Tivemos o ano INTEIRO, MANHÃS, TARDES e NOITES a revelia e puff ‘NEVER'. É bem certo que a primeira vez foi no quarto dia de novembro. Era o último dia de trabalho e WHATEVER que eu fizesse qualquer coisa. O meu amigo destino colocou uma escada e dois homens no meu caminho – não era pedra nem dois homens e meio – e o que eu podia fazer senão me apresentar de um jeito peculiar, já que um deles era ele? Oi, eu sou a Bruna – com uma caneta na mão, segurando como se fosse uma faca afiada para a luta do ano – e você é o fulano – apontando a faca caneta pra ele, enquanto o sujeito buscava na sua memória descobrir quem era a louca na sua frente. Esboçou um leve sorriso como se assentisse a localização de uma Bruna semi-conhecida na sua memória. Eu não parei. Me senti uma estrela cadente sem tempo pra se expor para apreciação.
Well, depois disso eu já me dei por contente. Tinha me apresentado ao semi-conhecido que queria me conhecer. Agora ele sabia que eu não era um blefe e que eu existo. Mas bem, whatever.
Passados 26 dias, estava eu esperando os professores da banca da minha monografia e, a toa sentada na sala dou uma espiadela pro corredor e quem avisto? Exatamente, whatever. Ele não me reconheceu ou whatever, quem sabe não tenha gostado de eu não ser mais uma total semi-conhecida, talvez fosse melhor eu voltar ao nível de semi-desconhecida. Whatever. Cada macaco no seu galho, né?
Já tinham sido dois whatever e já bastava. Tudo bem que passava pela minha mente torpe as várias possibilidades e se’s, but WHATEVER, nada ia acontecer mesmo. Abstrai, Bruna, abstrai.
Abstraí tanto que fui total relax pra última prova de francês no último dia de aula. Fui com a roupa e o espírito de alguém que queria ter ficado em casa tumblrando e papeando no msn about coisas sem relevância social ou política like música estrangeira e outras amenidades que animam a minha não mais bored life. C’est la vie. Fui, cheguei, desci, caminhei, parei, prendi o cabelo again, dei menos de 5 passos e BÓH: without whatever. Não tive escapatória. Ou eu virava à direita e levava o título antipatia do ano ou eu seguia em frente e fazia qualquer babaquice tal como fiz com a caneta há um mês. Topei me arriscar e levar o título boboca da década. Não sei se levo, but WHATEVER. Parei, esperei ele se apresentar, afinal de contas eu ainda não tinha ouvido a sua voz – a qual diga-se de passagem é muito bonita. Ouvi seu nome e disse o meu again. E disse tantas outras coisas que, meldels, daonde eu tirei tanta coisa? Eu não era assim. Por que mudei? E, principalmente, como o fiz? Logo eu que sou uma pessoa-whatever. Ou fui?
O que eu disse não vem ao caso, porque o mais surpreendente pra mim – tirando o lance de ser o último dia de aula e já ter me acontecido tantas coisas nessa data em anos anteriores – é que o cara é MUITO mais interessante do que eu pensei que fosse. Aprecio sua voz, as conjugações e concordâncias bem desenvolvidas. Eu o imaginava totaly diferent, oh gosh you surprised me again. A conversa deve ter durado uns 10 minutos e bah. Eu precisava ir pra aula, e ele pra casa. Então no fim das contas, tudo continua igual, cada um com o seu destino e whatever.

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes

Tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.
Clarice Lispector

domingo, 6 de novembro de 2011

quando a música muda a gente

60ª postagem.

Que emblemática. e elucidatória. são 04:52. na Coreia são 15:52. o resto eu conto depois do meio-dia, quando eu acordar e escrever de verdade.

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Ao som de Tonight do Big Bang ♪ - ia ser Bonamana do Super Junior, mas depois do que eu soube, não tem como não ser essa.

Já é dia 7 de novembro na Coreia, mas em terras tupiniquins ainda são 21:01 do dia 6. E que orgulhosa eu fiquei agora. Soube que o grupo coreano Big Bang ganhou o EMA de Artista Global, e se isso não fosse suficiente, na mesma premiação meu lindo Adam Lambert cantou junto do Queen. Ou seja, morri. Hoje é aniversário do Super Junior, grupo coreano que eu conheci por causa do Big Bang. Sentiu a ligação? Big Bang receber o EMA é como se o Suju tivesse ganho - pra mim. Coisa mais linda.
Mais lindo de tudo isso é que esse post é sobre esse povo da música que mudou a minha vida. Portanto, é um post de comemorações. Inicialmente ia ser só sobre o Suju, mas depois dessa surpresa no EMA, fica mais lindo comemorar tudo junto.
Quem me conhece bem - ou seja, no máximo 3 pessoas - sabe que eu nunca curti coisas orientais. Japão, China e Coreia pra mim era quase como o Acre - whatever. Mangá, anime e Girls' Generation era coisa de gente estranha. O estranho é que eu sou estranha, mas não curtia essa estranheza. Lá por março ou abril - preciso conferir isso em algum histórico de conversa no msn - eu estava toda toda no marasmo internético conferindo qualquer bobagem comum quando me deparo com um vídeo todo todo. Com a fotografia linda, cores vibrantes e bofes cantantes. Opa, que máximo isso, pra quem eu vou mostrar? De início acho que não mostrei pra ninguém, mas depois revia tanto que mostrei pro Sr. Ott que deve ter achado meia-boca porque o negócio dele é dançar funk até o chão. Eu gostei tanto do vídeo/música que procurei os outros sons dos caras bonitos, que pareciam todos iguais porque coreano é tudo igual. NÃO. Não são iguais e isso é o mais barato da coisa. Quando a gente curte tanto o lance que sabe diferenciar chinês, coreano e japonês. Meu Deus. Hoje eu sei diferenciá-los. Não creio! Pois bem, um belo dia de março/abril eu mostrei o vídeo pro Sr. Madalosso com quem eu mantinha uma amizade colorfull, e imediatamente ele me enviou o link de uma música muito foda, de uns garotos tão fodásticos quanto o som, que dançavam fodasticamente. Opa, como assiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim? Em que mundo eu estava vivendo quando isso foi lançado? PARA TUDO. E parou mesmo. E eu pirei. Catei mais músicas dos tais garotos, que formam a maior boyband do mundo - 13 integrantes. Eu revi tanto o clipe de Bonamana, mas tanto que não sei como eu não sei a coreografia ainda. Catei mais alguns sons do grupo, mas não curti muito. Big Bang me agradava mais. Até que agosto chegou e o Mr. Simple também. Era o novo single do Suju. Clipe bapho, integrantes mais bapho ainda. Eu olhava e pensava "cadê aquele bonitinho de Bonanama?", porque pra mim até agosto todos eram iguais ainda. A única diferença era o cabelo, se o carinha cortasse ou pintasse a juba, já eras a identificação. Mostrei o clipe pro Sr. Ott, que com sua perspicácia disse "o teu é o de roxo", Oh Gosh! O bonitinho de Bonamana tá quase loiro, como assim??????? Eu ia levar anos luz pra encontrá-lo again. Era o Sr. Kyuhyun dando o ar da graça divo cantando a lot. Foi a partir daí que eu virei uma k-popper que surta total com esses coreanos gostosos talentosos. A minha paixão absurda pelo Super Junior é absurda mesmo porque eu ajo como se tivesse 13 anos like a Br'oz. Depois do clipe de Mr. Simple a minha vida não foi mais a mesma. Eu dediquei tempo pra conhecer um pouco de cada integrante do Suju. Eu pesquisei toda trajetória da carreira deles. Eu vi babando o dvd de 3 horas do Super Show 2. Eu revi esse dvd a lot. Eu ainda revejo. Eu não me canso de vê-los performando. Todo santo dia eu caço novidades deles. No meu HD não tem mais espaço porque eles monopolizaram com gigas e gigas de fotos e gifs. Eu tenho bias! Eu nem sabia que isso existia. E hoje eu tenho 3! Kyuhyun, Sungmin e Donghae. Eu até fiz uma compra internacional porque eu preciso materializar a minha obsessão k-popística. Eu leio fanfics e faço parte de algumas. Eu acesso sites de k-pop todo dia. Minha timeline no Facebook é contaminada por esses sites e perfis biaseds. Minha mãe não aguenta mais que eu fale de coreanos. Eu comecei a curtir vários outros grupos coreanos: U-KISS, Block B, Mblaq, N.Sonic, etc. Música americana pra mim é coisa rara ultimamente. Eu mudei. A música me mudou. Nesses 6 anos de Super Junior, eu fico imaginando quantas vidas foram interferidas por causa do som deles. Eu só lamento por não ter conhecido o grupo antes, ainda mais que depois da tour mundial, o lider LeeTeuk vai se alistar ao exército - que é obrigatório na Coreia - e o Suju entrará em hiato de no mínimo 2 anos. Apesar disso, ainda há a esperança de que por ser World Tour, os meninos venham pro Brazsil.  Eu não sei mais escrever Brasil com S de tanto que eu escrevo com Z no twitter e facebook dos meninos. Come to Brazil, please! Eu não sei nem como terminar esse post porque é mais um relato pra eu ler daqui um tempo e ver se as coisas mudaram novamente.


Ah,eu fiz até um tumblr e na minha dashboard só tem Suju. #sorry











Sorry se algum vídeo estiver fora do ar, sabe como é, né?

"Hey, I'm Mr. Simple" - Super Junior

"Bounce to you, Bounce to you nae gaseumeun neol" - Super Junior

Sorry Sorry Sorry Sorry
Naega naega naega meonjeo
Nege nege nege ppajyeo
Ppajyeo ppajyeo beoryeo Baby
- Super Junior

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Alerta vermelho

Vi, analisei, processei o pensamento a respeito da estética e curti. Curti e esqueci. Aliás, comentei com duas pessoas. Valia um comentário ardente, provocativo. Só pra constar. Só pra dizer pra mim que ainda existe motivos para vir trabalhar, comer, dormir e querer viver. Motivos até pra se vestir menos jeca. Alerta vermelho. Eu não ligo pra roupas - não as minhas. Mas, e agora como pode esse motivo interferir nisso? Alerta vermelho total. Isso aconteceu essa semana. Ressuscitei-o digitalmente e pronto. Descobri coisas que não gostei. Vi, analisei, processei o pensamento a respeito da estética e não curti. Depois de tanto tempo, o motivo ressurge dando bandeira por aqui. Não por aí. Ele não está aí. Está por aqui à espreita, acordado com o destino de se jogar na minha frente toda vez que eu vou propositalmente lá fora - ver o que acontece. Não acontece. Alerta vermelho. Tem que acontecer. Portanto, vai acontecer. As coisas acontecem quando eu quero que aconteça. É um acordo que também fiz com o destino: de querer e conseguir. Nada se joga na minha frente e fica por isso mesmo. É o destino dizendo "estamos quase lá". Estamos no bendito mesmo lugar, motivo. Eu não vi, analisei, processei o pensamento a respeito da estética e curti à toa. Trata-se de um plano mirabolante do destino, meu camarada. E o pior (melhor), o motivo não ressurgiu por descuido ou qualquer coisa que valha. Tudo combinadinho. Rá. O detalhe maior é que só eu me dei conta disso e agora vou ter que avisar a outra parte. Alerta vermelho. Mais uma vez eu vou ter que ser cara de pau ao extremo. Alerta vermelho. E ontem, o que foi ontem? Impensável. Nem no meu melhor sonho eu pensaria aquilo. Nem no maior devaneio da semana aquilo poderia ter acontecido. Alerta vermelho. E hoje, o que foi hoje? Alerta vermelho.

"A gente todos os dias arruma os cabelos: por que não o coração?" Provérbio chinês

"Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado"
Clarice Lispector


"E de surpresa em surpresa, o inesperado. E quando o inesperado lhe sorri, como não lhe sorrir de volta?" Camila Custodio

segunda-feira, 13 de junho de 2011

mais uma análise

Se eu pudesse passar a minha vida ouvindo música e assistindo a filmes, eu o faria. É um jeito macio de aguentar a dor, embora minhas dores estejam anestesiadas por enquanto. Pensando bem, se passasse a vida entretida nessas fugas eu não teria do que fugir já que não viveria nada. Ficar em casa longe do mundo é a autodefesa mais covarde que pessoas com medo de viver desenvolveram. Isso acontece porque viver implica em sofrer, logo fere e dói. Eu me dediquei exauridamente em praticar o antissocialismo (com dois ss mesmo) durante duas décadas. Fiz isso porque era conveniente e divertido. Não pretendia me esconder de alguém específico nem me esquivar de situações comprometedoras. Eu só não gostava do mundo, eu não via o lado bonito das pessoas. Consequentemente, nem elas viam o meu. Agora analisando a minha solitude, eu entendo que fui eu mesma que me dei esse presente de grego. Culpa minha. Porém, todo esse tempo de exercício antimundo me trouxe ao ponto que estou hoje. Eu não seria assim se não tivesse sido como fui. O mais bárbaro disso é que eu gosto de quem eu sou. Principalmente por ter mudado. Tem gente que cresce e regride. Tem outros que não mudam. E tem os que não aceitam a mudança. E o pior, tem os que mudam mas não assumem o passado que tiveram. O passado não é um bicho papão, é só um cara bonito que vai te impressionar quando você dedicar alguns minutos pra pensar nele antes de dormir. Vocês ainda vão identificar pontos em comum e se agradecerem por serem francos. Você diz pra ele o que pensa a respeito do que ele é, então ele te diz quem tu pode ser. Eu estou assim, tenho um caso de amor com o que eu aprendi com meu passado enquanto ouvia música e via filmes.


"I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognize your beauty's not just a mask
I want to exorcize the demons from your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart"
Undisclosed Desires - Muse

quinta-feira, 2 de junho de 2011

1095 dias

Precisamente há 3 anos eu conheci alguém que mudou a minha vida. Não mudou no dia 02 de junho de 2008, mudou um pouco todos os dias a partir dessa data. Quando o vi não levei muita fé. Não levei muita fé durante muitos dias, mas bem me lembro que foi no mesmo mês que o inscrevi no Prouni. Pretendia ajudar um até então meio-estranho meio-conhecido, um ainda-não-amigo. Bondade minha. Eu naquele tempo tempo não tinha amigos. Eu nos tempos de hoje só tenho ele. Um ser sempre tão animado e disposto a viver. Uma pessoa que não vê muita maldade no mundo, ou coloca as mãos em frente aos olhos pra não enxergar o que está errado. Desde que o conheço sempre foi assim. É alguém constante, apesar de ter mudado tanto. É divertido pacas, embora se emburreça com algumas piadas. Ele não sabe contar piadas. Mas tem força pra me carregar nas costas. Eu o ensinei a gostar de fotografia. Ele me ensinou a gostar de Grammy e charts da Billboard. Ele come sem fome e se joga nas aventuras mais impensadas e irresponsáveis. Idéias minhas. Ele escuta todas as minhas lorotas e suposições. Eu escuto todos os seus conselhos e proposições. Eu digo vai. Ele segue. Eu aguardo o sábado que ele vai ter pra mim. Ele guarda o sábado dele pra nós. Nossa amizade, se fosse como um contrato, seria um sem data de conclusão ou encerramento. Haveria cláusulas que permitiriam a rescisão sem multas ou encargos. Sem deveres ou diretos. Apenas opções. Estar juntos por vontade, não por obrigação. Eu poderia escrever um livro pra contar todos os nossos causos e todas as minhas impressões sobre o nosso relacionamento, que pra mim é de infância. Mas eu sei que ele sabe tudo que é bom saber. E você sabe por que nossa amizade já dura tanto tempo? Primeiro, porque não cobramos nada um do outro. Nos vemos se quisermos e quando podemos. Segundo e essencial, porque temos mais diferenças do que semelhanças. A nossa melhor e mais evidente semelhança é que aceitamos as diferenças. As nossas entre nós e as dos outros conosco.

"Correeeee, Luaan. Perdi meu celular, Luaaaan."  Bruna Foscarini

"Voltemos ao parque, sim? Estávamos a dupla, Bonnie & Clyde, Debi & Lóide, Pepê & Neném, sentados, aproveitando a brisa e as lamúrias narrativas, quando ele apareceu." Luan Ott

sexta-feira, 27 de maio de 2011

o ímã da geladeira

Não creio que já passou mais uma semana. E mais inacreditável é pensar em tudo que aconteceu no último final de semana. Sadness. Mas o que se pode fazer com a vida se a morte chega de surpresa? Enfim. Vivemos enquanto podemos. Na minha curta vida muitas pessoas apareceram e se foram na mesma velocidade. Tão rápidas quanto a luz. Talvez tivesse sido legal ter conhecido algumas verdadeiramente e não tê-las apenas como meras 'conhecidas' de rua, de escola, de internet, de acasos. Há muito tempo reflito a respeito disso. Quantas pessoas que eu tive a chance de ser amiga e não fui nada? Quantas eu julguei como insignificante quando podiam mudar a minha vida? E eu ainda continuo fazendo isso, embora faça com menos frequencia. Percebi que tratava as pessoas com um ar antipático de puro desprezo. Eram poucas as pessoas que me magnetizavam como um ímã. Dos poucos ímãs que encontrei na vida, e não na geladeira, todos eram levemente esquisitos. Tímidos demais, solitários por baixa autoestima, o único ser de outra raça numa sala de 30 alunos. O mais interessante disso é que todos tinham uma semelhança: eram inteligentes e doces. Não eram as características psicológicas ou fisícas que me magnetizavam. Era a maneira como eles carregavam a mala pesada do convívio social com todo esmero. Se aguentavam sem ajuda de ninguém. Tal qual o ímã sozinho preso à geladeira. Está lá se segurando sozinho enquanto é visto por quem chega perto. E de tanto chegar perto nem o percebe mais. Está ali, estagnado, sem valor, sem cor. Daí vem a Bruna e mexe nele. Ajusta-o. Coloca-o em lugar de destaque. Reorganiza a geladeira e reúne todos os outros ímãs dispersos. Eis a amizade. Às vezes, na hora de ajeitá-los, alguns caem ou escapam das mãos. Então eu os recolho. Às vezes alguns não querem voltar, então os deixo quietos, embora eu reconheça o valor que têm. Enfim. Eis o mais bonito: a tolerância. Eu adoro imperfeições. Esse jeito esculhambado que as pessoas têm. Os dentes tortos, os olhos levemente caídos, o cabelo mal penteado, a roupa amassada. Adoro. Adoro mais ainda quando são doces. Quando elas querem estar perto de outras sem se sentirem na obrigação de ser algo que não são. Quanto mais simples, mais magnetizante é. Talvez seja por isso que ando sozinha. As pessoas tendem a pensar que precisam ser muito pra ter outras por perto. Eu não quero muito nem pra mim, nem pros outros. Eu só quero que sejam o que são, daí eu vejo se gosto. Se gostarem de mim, aproximem-se. O tempo não para e ficar parado é perda de tempo.

"Os tímidos sempre impressionam aqueles que tem paciência de conhecê-los melhor."


http://www.jornalpanorama.com.br/?p=33180 (publicada nesta semana - para uma pessoa como um imã dos meus)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dum dum da da-da, da-da-da da-da

I won't cry for you
I won't crucify the things you, do, do, do
I won't cry for you
See, when you're gonna still be Bloody Mary


Nesses dias, passados rápidos e despercebidos, meu amigo-irmão-camarada Lu(lu Santos) Ott contactou-me para a notícia do ano: vazou o Born This Way. E-mail e Twitter. Ele sabia que isso surtiria efeito sobre mim. Não surtiu. Enviou-me o link para baixar. Baixei meio contra gosto. Abri o arquivo: não era o álbum da Gaga. Oh shit, it's wrong! Desanimei e mandei ele pastar. Não demorou muito, veio ele do pasto me dizer que o cd era tão ruim quanto o flopado Bionic da Christina Aguilera. Espertinho que só, não se deu a vergonha na cara de me enviar o link certo. Que amigo é este? Disse a ele que um dia eu baixaria. Estava dando a mínima, afinal pouco importa. Deve ter passado uns dois dias quando um colega de trabalho veio até a mim e soltou a máxima: O que tu achou do cd da Gaga? Ora, o destino me pressionando para ter uma opinião sobre o lançamento do ano. Não ouvi ainda - disse eu observando a empolgação do colega. Eu tenho ele aqui, quer? Educado que só, foi um gesto de cortesia, afinal, foi eu que o apresentei ao Femme Fatale. Quero. Quero? Sim, me pouparia acessos ao Orkut ou 4shared até encontrar o link correto que o imprestável do meu único amigo não se deu o trabalho de me enviar. Enquanto copiava o arquivo no meu pen drive, meu colega tagarelava a respeito das músicas. Born This Way e The Edge Of Glory são as preferidas dele Compreensível já que é gay. Todo gay gosta de quem faz músicas para eles e sobre a causa deles. Compreensível. O que me ocorre agora é que a preferida dele de todo o trabalho da Gaga é a miserenta Telephone! Meu Deus, Telephone! Aquela com um clipe tosco, com um feat da mais nova loira oxigenada do mundo pop, Beyoncé Knowles. Credo. Que me dissesse que a melhor fosse Poker Face, Paparazzi ou até a horripilante Bad Romance, mas Telephone não! Gosto é muito particular MESMO. Eu me atrevo a dizer que a melhor música da Gaguinha é Alejandro. Essa sim. Recordo-me de quando ouvi pela primeira vez a demo bem diferente da versão final. Paixão à primeira ouvida. E a letra? Per-fei-ta. Eu toda vez que a ouço imagino um clipe muito mais humano e coerente do que o gravado. Eu deveria ser roteirista, cara. Bem, depois deste adendo volto ao assunto: chegando em casa abri a pasta e me deparei com 14 faixas em m4a. Oh shit, mais essa! Converter já. Converteu e eu me dei o dispendioso luxo de ouvir uma por uma para ter subsídios em uma futura crítica. Play.

A primeira, Marry The Night é ótima. E a escolha dela para ser a primeira do álbum foi a dedo. É boa pra arrumar o quarto naqueles dias em que o desânimo toma conta. A segunda, Born This Way, eu fiz questão de não ouvir. Afinal, eu não mereço emprestar meus ouvidos para o que eu sei que não me agrada. A faixa três Goverment Hooker, que já não me atrai desde quando eu vi o seu nome, é umas da que eu não curti. Muito anos 90 pro meu gosto. A música seguinte é Judas. Bendito Judas. Viciante. Logo que saiu na web eu achei uma grande porcaria. Mas depois, não sei porque, viciei. Deve ser o efeito isolador dessas persianas cinzas, do meu local de trabalho, que eu vejo todos dias na minha frente. Qualquer coisa se torna uma válvula de escape. E o clipe? Gostei também. Não entendi bulhufas, mas aprecio a idéia de gravações a céu aberto. Seguindo o baile, cheguei na Americano. Não sei ainda se gosto ou não. Ela me lembra a Don't speak americano do Yolanda Be Cool. Ou seja, um tanto hilária e que não pega confiança. Depois dela vem a Hair, que também estava na web antes de tudo vazar. Quando ela foi disponibilizada eu realmente não tinha curtido, mas ouvindo agora para escrever esse post até que é boazinha. Nota 5 pra ela, podendo chegar a 8 daqui há uma semana. A faixa sete, meu número, é muuuuito boa. Eu já a conhecia de outros carnavais, porém não na versão final. Se trata de Scheiße, merda em alemão, tem a letra complicada. Gaga diz I don't speak German but I wish I could - bem que ela tenta. É a típica música de desfile. Certo que entraria no álbum das 15 melhores do Celso Portiolli.
Então, mais ou menos nessa hora eu comecei a pesquisar sobre o que os fãs dela estavam achando sobre o álbum vazado. Na comunidade dela no Orkut tinha de tudo. Tinha até a track list com 17 músicas. SIM, me faltavam 3 e eu não sabia. Quem me conhece sabe que preciso dos álbuns completos pra ser feliz. Fui até a minha mina de carvão e encontrei o diamante, aliás, dois: o cd com 17 faixas e o disco 2 da versão deluxe com remixes. Rá. Baixei as faixas que me faltavam e renomeei os arquivos. Os números eram diferentes e os que eu disse aqui certamente estão errados, porque o cd que tenho comigo now é o com 14 faixas. Sorry.
Voltando ao raciocínio lógico: a faixa que procede Scheiße é a magnífica, a majestosa, a incomparável, a insubstituível, a insuperável Bloody Mary. Oh Jesus! Por essa eu não esperava. Merecia um post exclusivo. Mas vou me segurar. Bloody Mary é inimaginável. Começa como música sapeca, como se fosse trilha de Esqueceram de Mim, quando chega aos 10 segundos parece O Fantasma da Ópera e logo começa a batida a la Gaga. Genial! E a letra? Show! Revoltstotal. Música de labirinto, monastério e manicômio. Música que tem a obrigação de ser single, ter um clipe bafônico, ficar no topo dos charts mundo afora e concorrer ao Grammy. A melhor de Born This Way sem sombra de dúvidas. E se não bastasse ser perfeita, Gaga ainda fala em português no final: liberdade e amor. Dum dum da da-da, da-da-da da-da. Divina.
O que vem depois quase pouco importa, mas vou falar porque tem músicas boas. Se bem me lembro, a música seguinte é uma daquelas três que não tenho aqui: Black Jesus Amen Fashion, Fashion Of His Love e The Queen. Dessas só a última é audível e é ma-ra, as outras não passam de um amontoado de barulhos que não tem futuro nenhum. Bad Kid é a nove daquelas 14. Excelente. Desse cd essa deve ser a música mais boca suja, embora o som às vezes pareça doce. "Don't be insecure if your heart is pure/ You're still good to me if you're a bad kid bad." É agitadinha e boa pra distrair. Highway Unicorn (Road 2 Love) é óóóótima. Dançante, crazy e com uma letra fora da casinha. Repetitiva do início ao fim, mas muda o ritmo de uma hora pra outra. Gaga grita como se tivesse suplicando. Indefinível, por isso ma-ra. É uma das canções junto com Scheiße em que a gente percebe a voz linda da Lady Gaga. Heavy Mental Lover, musicalmente nada a ver com a Gaga. Não consigo nem imaginar a que isso se aproxima. Muito eletrônica pro meu gosto. Não precisava ter entrado no álbum. Electric Chapel é uma amostra do que mais se aproxima de um possível rock em Born This Way até os seus 30 segundos iniciais. Depois eu tenho a leve impressão de estar ouvindo uma música chinesa-coreana-seiláoque. E lá pelos 1:30 o rock volta seguido de um coreano meio russo que é o inglês natural dela. Me explica, Stefani Germanotta, o que você tentou fazer e não conseguiu? Vamos até a capela elétrica e você nos conta, tá? Obrigada. You and I já curtia há tempos, mas não quero como single. The Edge Of Glory não curti, desculpe.

No fim das contas, o álbum que tinha tudo pra fracassar se superou. Sete faixas excelentes, cinco sem sal, três levemente apimentadas e duas sem nexo. Parabéns, Lady! You're the queen. Mas no próximo álbum não me venha com papos gays, apóstolos e o clero todo, tá? Um só basta. O álbum todo é um culto. Gaga recria cânticos em todas as músicas. É como se quem ouvisse passasse todas as músicas rezando. Só não sei sobre o que é a oração. Ao pop, à Gaga, à música, whatever.

PS: Todas as roxinhas são nota 10 e merecem ser singles. As verdinhas são nota 5 podendo alçar grandes voos. As vermelhinhas são horriveizinhas. E as rosas dão um choque no bom gosto




"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música." Aldous Huxley

"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode permanecer em silêncio." Victor Hugo

"Sempre tive a impressão de que a música fosse apenas o extravasamento de um grande silêncio." Marguerite Yourcenar

domingo, 15 de maio de 2011

rester debout

olha o poço aqui do meu lado. eu não vou pular, eu não vou pular - pensa ela com as pernas lá dentro.


a moça está dormindo além do necessário fisiologicamente falando. sentimentalmente poderia passar a vida toda dormindo pra não ver tanta falsidade e falta de carinho de gente que não sabe cuidar das flores que plantou. dia desses a mãe da moça disse à ela que não estava gostando de vê-la dormir tanto. a mãe a conhece muito bem e sabe de onde isso vem e o que isso causa. a filha também sabe qual é o caminho tortuoso que está seguindo e o que vai encontrar lá no final. de vez em quando ela para no meio do caminho e senta no chão. não há conforto nenhum - nem pelo trajeto nem nela mesma. depois de descansar de si mesmo e do que tem pela frente, a moça se levanta e continua o que havia postergado. lá segue ela. o lugar é escuro, chove quase todos dias e não há ninguém com quem compartilhar os seus anseios. algumas vezes alguém de fora se perde na estrada e tenta levar a moça pra casa. mas ela não vê essa gente. estão em um nível acima do que os olhos permitem ver. no caminho tem pedras grandes e soltas, corujas e grilos e tem a assustadora voz do vento. o sussurro do vento ainda é o que mais se a próxima do que é vida pra ela. é o som do silêncio. às vezes ela tem medo. medo de desistir da vida, medo de ir até o final e encontrar o maldito, medo de paralisar. medo das pessoas. medo do medo. então ela pensa em voltar pra sua gente. como alguém que viaja pra longe e quando volta vê no portão de desembarque quem mais importa e fica feliz como se tivesse sido salvo da selva. mas ela não sabe voltar sozinha. ela já percorreu esse maldito caminho vááárias vezes e você que me lê sabe o quanto ela demorou pra achar um atalho pra casa. ô coisa demorada e tempo doído. dor, isso ela sente muito. ela anda de pés descalços. ela é desse jeito, você sabe, verdadeira e sem máscaras, escudos ou proteções. por isso fica assim, sangrando a toa. ela não quer mais usar dos habituais subterfúgios. ela quer viver, será que é tão difícil alcançar a plenitude? na sua rota, de longe, ela avista o maldito: o poço. que tenha mola no fundo - pensa ela quase orando. que tenha mola, que tenha mola. chegando lá, ela olha pra dentro e não vê nada além do breu. ela pensa nela e nas flores que tinha antes de cair nesse caminho e nada aparece - só o breu. ela pensa nas pessoas esporádicas que ela conheceu, só vê o breu. ninguém foi luz suficiente. ou foram demais e a cegaram ou não se acenderam. então ela olha pro alto e muda de pensamento. mas o céu também está todo escuro. ela fala pra ninguém: olha o poço aqui do meu lado. esperançosa que alguém pule junto ou arranque-a de lá.  eu não vou pular, eu não vou pular - pensa ela com as pernas lá dentro.


"A desilusão é a visita da verdade." Chico Xavier

"Aprendi que a desilusão é uma das piores dores. Pois ninguém se ilude com aqueles que conhece, mas sim com os que pensa que conhece." Helber Chin Ku Chon Choo

"Escrever é um dom que se aprimora com a depressão." Bianka Raphaela



sábado, 14 de maio de 2011

Não corro mais perigo de correr perigo

Foram três meses e três dias de tentativas infrutíferas de perigo. Só tentativas. Dizem que o prazo é de noventa dias, e olha só a minha audácia, ultrapassei três. Que também era a quantia de perigos - de diferentes níveis, mas perigos. Pensava que dessa vez algo fluisse. Pelo menos uma vez. Não fluiu e todos combinaram de me esquecer ao mesmo tempo. São ótimos em armações. E eu achando que havia riscos. Me arrisquei por ninguém. Lamentável, porque era isso que eu procurava. Correr riscos. Me sentir viva. E no final sair ilesa. Outra vez. Não teve perigo e não saí ilesa. Paradoxal. Outra vez. Me mataram. Outra vez. A vida acha que eu adoro situações paradoxais e reservou uma carga delas pra mim. Não, eu não gosto. Eu queria momentos inteligíveis e não tive nada além de fazer os curativos. Outra vez. Não tenho tino pra ser enfermeira, tá vida?
Eu poderia ir atrás de todas as possibilidades de perigo, mas eu já fui uma vez. Outra vez seria não ter amor próprio. Que venha até mim. Se souberam sumir, saberão aparecer quando convir. A questão é que não virão. Eu conheço o meu eleitorado covarde e orgulhoso. Embora eu quisesse que apenas um acordasse pra vida e continuasse de onde parou. Mas enfim, isso certamente não vai acontecer porque eu devo ser o ser mais monótono do planeta. Não é possível que esses comportamentos alheios aconteçam comigo por outros motivos. Ah, eu devo ser um ser cansativo. Claro. Como se correr perigo também não fosse cansativo. Mas veja só, eu sou forte, eu ignoro o cansaço e tento. Tento até cansar. E não cansada o suficiente, fico pensando que se eu tivesse tentado de outra forma talvez tivesse conseguido e tramo outras tentativas. Assim, eu pelo menos posso me orgulhar de ter tentando várias vezes. E não só uma, como vocês habitualmente fazem. Fazem assim e fazem errado. Não me dão tempo nem de ensinar como é que se faz. Não dão tempo nem pro tempo. Se subestimam ou se superestimam. São egoístas demais ou medrosos demais. Não sei. Mas sozinhos vão continuar sendo o que são: ninguém desconsiderando alguém que pensa em vocês.

"We could have had it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside of your hand
(You're gonna wish you never had met me)
And you played it to the beat
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)"
Rolling in the deep - Adele

domingo, 8 de maio de 2011

our hopes and expectations

Play: Muse, Starlight. Daquelas que são ótimas quando se quer inspiração, força ou esperança. Já fiz uso dela nas três situações, pena que esqueci hoje. Caberia. Eu fui lá, dei uma volta. Estava quente e eu com vontade de ver como as coisas sairiam. Não sairam. Ignorância alheia. Concluiu precipitadamente algo que foi apenas uma amostra pertubada do que poderia ser. Não foi. Não foi e eu perdi. 2X0 contra mim. Perdi o que quase tive e o que eu não queria ter mas me divertia. Fiquei sem nada, só espaço vazio do meu lado em qualquer banco ou sofá. Só mais espaço em branco pra preencher no coração. Na verdade, acho que a cada perda não fica espaço aberto. Instantaneamente o espaço se fecha pra nunca mais ser pintado. Nem branco, nem cores. Só rabiscos. Eu sou um rascunho. Sou as folhas ainda não usadas que alguém amassou porque desistiu de usar. Eu entendo porque o ignorante age do jeito que está agindo, mas não concordo. Não é assim que se mantém as amizades, nem mesmo aquelas que ainda não o são e nem seriam. Era apenas coleguismo. Era uma desconhecida conversando durante absurdas horas com um canceriano desconhecido. Seguiria sendo isso até um dos dois cansar de frequentar o mesmo espaço do outro. Agora, um não quer falar com outro mas continua indo no mesmo lugar. Provocação. Joguinho de gato e rato. Só que ele esqueceu do principal: eu sou a raposa. Deve ser só pra me testar. Ele disse que testava as pessoas. Bem me lembro. Disse isso e eu nunca me esqueci. Disse isso provavelmente em um dia bonito de esperança em que ouvi Starlight. Agora uso a música pra escrever isso, ou seja, para inspiração. Não há mais esperança. Dessa vez eu só preciso de força para suportar as minhas expectativas. Embora fosse melhor não cultivá-las. Eu não esperava isso dele, apesar de saber de que se tratava de um ser misterioso. Eu disse isso pra ele - bem me lembro. Ele respondeu - "não sou" - surpreso com a minha opinião. Hoje já não o acho misterioso. Acho nada. Deve ser a burrice que encobriu aquele corpinho enxuto e impediu que algo bom transpareça.

"Na boca do mentiroso, até a verdade é suspeita." Jacinto Benavente y Martinez

"A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É essa emoção fundamental que está na raíz de toda ciência e toda arte." Albert Einstein

"Quanto maior o desejo por desvendar um mistério, maior valor será atribuído à descoberta." Danilo Gomes


sábado, 30 de abril de 2011

O blusão azul

O shopping. Lá, no mesmo lugar de sempre e todo modificado. Lindo. Apesar de não estar finalizado. Lindo. Quando pus os pés logo notei a diferença. Mais clean, menos gente. Mais espaço pra eu fantasiar que o mundo é grande. O mundo é enorme e eu sou tão pequena - pensava eu. Entrei nas três lojas que costumava entrar quando ainda não era quem sou. Na primeira não senti nada que me deixasse contente. Estava como sempre esteve e a coca-cola cara. Segui adiante. C&A. Cheiro de roupa nova. Cheiro que desencadeou lembranças dos velhos tempos. Aqueles de infância. Aqueles que por vezes eu me esforço pra lembrar. Lembrar do cheiro e sentir - eu faço isso. Sinestesia. Percorri a loja vendo os preços e pensando: eu não deveria ser pobre. Mas, pobre mesmo é aquele que não tem a sensibilidade de ficar feliz sem motivo aparente. Então sou rica. Eu estava rica naquele dia. Dali parti para a Renner. A minha preferida. Vazia. Era récem pouco mais do que meio-dia, natural que tudo ali parecesse abandonado - parecido comigo na semana que passou - mas com toda a expectativa de movimentação - parecido comigo atualmente. Roupas e mais roupas, para todos os estilos. Para todos os bolsos. Para todas as carências. Esse é o tipo de loja que sempre tem um grupo de mulheres se desfazendo de ilusões em troca de algo que elas vão comprar e chamar de seu, sem receio de que fuja do guarda-roupa por não estar se sentindo adequado para aquele espaço. Mas enfim. Eu estava bem pacas. Eu estava matando o que me matava. Tendo acesso a novidades, a cores, tamanhos, e escada rolante! Nem me lembrava que existia. HAHAHA Mas antes de ir para o segundo piso, eu fui me esgueirando pelos cantos e me encontrei com ele. O blusão azul mais lindo que já vi. Eu peguei, olhei, pensei, olhei de novo. Preciso experimentar. Onde estão os provadores? Sumiram. Depois de alguns segundos após a escada rolante me deparei com um. Entrei e me vi com ele. O blusão. Que bonito e não é caro. Mas eu não preciso, eu não preciso. É óbvio que eu preciso. Preciso de uma vida nova, quem dirá de um blusão. A capricorniana não me deixou levá-lo. Primeiro a vida, depois o blusão - foi o que eu ouvi de mim. Eu saí de lá pensando que a vida eu já tinha e naquele momento estava se renovando. A Bruna 2011 não é a mesma de 2010. E a de ontem não é a mesma de hoje, a qual não será a mesma de amanhã. Eu tenho me vacinado com que seja doce, que seja doce e tem sido. Sensatez me acorda todos os dias me dizendo: vá trabalhar, tu ainda tem muita vida pra viver, muita gente pra conhecer, muito tombo pra cair e rir depois. Eu não desobedeço a sensatez. Ela tem razão. Disciplina acima de tudo.

Ao sair da loja eu só pensava: minha mãe ia adorar vir aqui. Ela detesta shopping. E eu tenho esperança nas pessoas. Eu tenho. Pra onde eu vou? Pra Feevale, já? Não. Pelo amor de Deus, não. Não fui, eu vistoriei o segundo piso do shopping como se estivesse procurando um fugitivo. Eu percorri meus olhos em cada novidade que se apresentava na minha frente e ao meu lado. Em quem estava sentado nos bancos, gente sozinha, gente namorando. Lojas e mais lojas. Joalherias, óticas, quinquilharias. CVC. Bariloche. Tentador, entrar numa agência de viagem e dizer: eu quero ir pra qualquer lugar com neve, já. Não me diga pra onde, só me leve. Tentador. Mais tentador do que isso foi entrar na praça de alimentação toda reformulada, cheirosa e LOTADA. Todos estavam lá. Achei todos que fugiam da agitação da cidade. E imaginei o que cada pessoa que lá estava tem guardado no coração. Quantos problemas ali estavam sendo resolvidos. Quantas novidades sendo compartilhadas. Quantas aflições impedindo o progresso. Quanta gente cansada da vida que tem, indo almoçar ali todos os dias, sendo que eu estava tão feliz por estar ali. Só passando por ali. Tanta gente se queixando do emprego, do chefe ou do vizinho. E eu ali, só com o dinheiro da passagem e da futura coca que ia tomar. Feliz pra cacete, apesar de ter um futuro profissional incerto, não ter com quem dividir uma mesa na hora do almoço e ter almoçado um sanduba. Paradoxal.

Quase no tempo de dizer adeus às horas maravilhosas, avistei mais uma escada rolante. Pra onde essa me leva? Subiiiindo. CI-NE-MA. Óóóóóóó, CI-NE-MA. Não, não vai ter postagem sobre. A última vez em que fui num ainda não tinha muitos sonhos que tenho. Era 2005. Constantine. Saí do cinema sem entender o filme, mas me certifiquei que Keanu Reeves tem o seu valor. Voltando pra realidade, desci todas as escadas, ou melhor, todos os andares porque o que descia eram as escadas, não eu. HAHAHA Me sentei em um  banco, liguei meu mp4 porque aquele momento merecia uma música. Qualquer uma sem nexo, a única exigência era ter o espírito de alegria que me envolvia. Procurei papel e caneta, mas na minha bolsa só tinha o forro furado. Meu Deus, eu preciso anotar o que estou sentindo - essa era a única preocupação que dividia o espaço com a satisfação de estar bem. Tudo bem, as anotações foram mentais. Sem pertubações ou distorções. O alzheirmer tinha que esquecer de mim até a hora desse post. Foi um moço educado e permitiu que eu não esquecesse do que queria lembrar. Eu saí do shopping, voltei ao Big e comprei a coca-cola que me acompanharia até a parada do ônibus. E lá eu esperei, esperei, esperei e vi o ônibus que eu devia pegar indo pra Feevale sem mim. Que burra. Então eu continuei esperando, esperando, esperando. Olhando toda aquela gente, lembrando do que tinha passado nas últimas 3 horas. O mundo é tão grande. Entrei no ônibus, paguei a passagem. Me acomodei e o mundo é pequeno. Um colega de trabalho sentado à minha frente me cumprimentou. É, o mundo é pequeno. Eu tinha passado 3 horas num mundo que ninguém me reconhecia e eu também não conhecia ninguém. E por isso tava tudo tão legal. Eu tenho sede de novidade. Quase chegando na Feevale, olhando pras pessoas do ônibus eu vejo outro colega de trabalho. Ah não, o mundo é minúsculo. A grandeza tá no coração.



“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio F. Abreu

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ida à civilização

Acordei mal, muito mal. Daquele jeito que não gosto. Daquele jeito que fazia teeempo que não acordava. Aliás, acordei todos os dias dessa semana desse jeito. A faca no peito. Embora isso aconteça, tenho me feito de forte e executado manobras brunianas para ignorar tal dor. Titubeei ao acordar: almoçarei qualquer coisa ou me dou o trabalho de ir até o centro de NH degustar um Subway de graça, apesar de ter que gastar com transporte? Dúvida cruel para uma capricorniana. A faca no peito me deixou na primeira meia-hora do dia imóvel. Não queria sacar 10 reais, comeria qualquer porcaria e fingiria satisfação. Mas, logo ao chegar na Feevale e receber a luz do Sol bem no meio da cara me avisando que se eu fizer sempre a mesma coisa vou ter sempre o mesmo resultado. E hoje eu não queria o mesmo. Eu queria aliviar a dor. Eu aliviei a dor. Eu tive as 3 horas mais felizes e revigorantes da semana. Às 11h eu saquei 10 contos, fui pra parada e como se soubesse qual ônibus pegar, fiquei lá esperando. O ônibus viria, ele sempre vem. O que não vem são as respostas para quem eu tenho perguntas. Mas enfim. Continuando o raciocínio do dia feliz: Primeiro parou um ônibus duvidoso, que obviamente teria o destino que eu queria, mas como capricorniana desconfiada que sou, exitei. Logo depois veio aquele que dizia qualquer coisa no letreiro luminoso. Era o certo, também. Eu comecei a sentir sintomas de felicidade já quando me acomodei no transporte: vou passear – pensava a solitária feliz da vida. Mas eu desço aonde? – a capricorniana querendo semear a discórdia e cortar os meus baratos de felicidade oca. Sobe, vira pra direita, desce, dobra pra esquerda: para, tá bom aqui. Óbvio que tava ótimo, tava mais perto do Subway do que eu poderia querer. Se fosse mais perto seria lá dentro. Não devo nem ter dado 100 passos e pluft: que lugar bonito! É de fato um restaurante bem atrativo, acima de tudo porque estava vazio. HAHAHA Como funciona? – a capri pensava a mil por hora. Agi com tamanha naturalidade que até eu acreditei que já fui lá trocentas vezes. Falei do que se tratava: bóia de graça. O que vai querer? – perguntou a atendente. O que eu vou querer? Meu Deus, ela fez a pergunta para qual eu tenho mais respostas. Eu poderia estar lá até agora listando o que eu quero. Elencando as minhas urgências, classificando as mais importantes e me questionando por quê é que não as tenho. E tenho a resposta aqui e agora: não tenho porque não depende de mim. As minhas perguntas não tem respostas porque não são direcionadas a mim. Ora bolas. O que eu vou querer? – pensava eu, eu quero as respostas. Eu quero ser lembrada, eu quero que quem colocou a faca no meu peito a retire e não ouse me magoar outra vez. Eu magôo alguém? Eu esfaqueei alguém? Não, não dou dessas. E porque são desses comigo? O que eu fiz?

Eu fiz um Subway no capricho. Pão branco, calabresa, queijo suíço, tomate, pepino, orégano e maionese: a visão do paraíso bem na minha mesa. DE-LI-CI-O-SO. Quero mais. Quero todos. Quero ficar assim, serena. E o que eu faço agora? – pensava a capri querendo manter tudo certo. Eu esperei umas meninas se levantarem pra ir embora e fiz o mesmo: deixe os apetrechos em cima da mesa. Não havia o que fazer, o certo era fazer nada. A sujeira não era eu que limpava. Saí, e segui meu rumo. Onde vou? Que cidade MARA. Que movimentação contagiante. Que merda de cidade que eu vivo. Que dia lindo. Que tudo. Na primeira oportunidade de entrar em algum espaço grande, pimba: a Bruna fez. Big. Tudo grande. Ai, gentche, o Big não era assim da última vez que entrei  – pensava a colona que deve ter entrado no Big em 2000. HAHAHAHA Tosca. Restaurantes, lojas, loteria: como assiiiiiiiiiiiiiim, isso não era assiiiiiim? Que beautiful. Eu estava maravilhada, eu estava em meio à civilização. Eu estava em um mercado que presta, em um mercado que tem tudo e de todas as marcas.

Eu não contive a emoção de estar em um lugar tão espaçoso, limpo, agradável e tão parecido com o Carrefour. Mãe, adivinha onde eu estou? – perguntei ao telefone, toda serelepe querendo compartilhar alegria que sentia. Sim, eu estava feliz por estar num supermercado. Sim, pode rir, ria. Você não sabe quantas lembranças isso me trouxe. Eu passei a minha infância indo ao Carrefour, ir lá era pra mim garantia de diversão. Era um outro mundo. E hoje, estando no Big, eu estava no meu mundo da infância. Aquele em que eu não sentia dor da facada, aquele em que eu sempre acordava feliz, aquele que eu não tinha com quem me importar, aquele que eu nem sabia o que era se importar e ser importante, porque pra mim só existia a minha mãe. E minha mãe pra mim sempre foi como um órgão do corpo, não me desfazia nunca e não tinha com o que me preocupar porque estava comigo sempre. Eis a ironia, eu não estava com ela naquele momento, mas ela estava comigo. Eu sempre sinto que ela está comigo, mesmo estando longe. Eu estava pacas contente. Eu olhava para cada objeto e pessoa como se estivesse nascendo a cada meio segundo. Era tudo novo, novidade para os olhos fatigados. Eram corredores me convidando para percorrê-los saltitando. Não o fiz, porque caminhava rápido, eu tinha sede de me sentir em êxtase com a música ambiente. Eu só pensava: era disso que eu precisava - além das respostas que ainda quero ouvir. Mas enfim. Devo ter atravessado aquele mercado em menos de 3 minutos. Mas fiquei por lá quase meia-hora. Pronto, chega. Tem mais diversão lá fora. Por onde eu saio?. Havia tantas opções, assim como há na vida. A capricorniana me respondeu: pelo mesmo lado que entrou. Sai pensando: por que não venho mais vezes aqui? É tão perto e tão gratificante. Por pura preguiça e solidão. Os males que empurram o mundo. Após uns passos e ruas atravessadas, eu empurrei a porta do shopping! SHOPPING, espaço que reúne lojas, cinema e praça de alimentação. SHOPPING, aquele espaço, Bruna, que fazia mais de dois anos que tu não colocava os pés. SHOPPING, na próxima postagem.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A culpa é minha

Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou. | Eu tenho noção disso desde criança, deve ser por isso que eu sou assim desse jeito velha. Poderia pensar que o que eu faço normalmente não seja jogar o tempo no lixo, mas lamentavelmente não tenho colhido bons frutos do que semeio. Deve ser porque sempre planto do mesmo jeito. O resultado será sempre o mesmo.

Todos os dias antes de dormir lembro e esqueço como foi o dia. | E isso dói tanto.

Sempre em frente, não temos tempo a perder. | E se tivermos que voltar pra juntar algo que deixamos cair?

A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos. | Sempre castanhos.

E diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo. | Quando vão inventar a poção mágica de sumirmos pra onde queremos? Enquanto isso, enfrentamos, de olhos tapados, tudo todos os dias. Chegamos em casa e fechamos os olhos. Somos craques em fingir que está tudo bem.

Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora. | Tempos atrás quando alguém me perguntava do que eu tinha medo, eu repondia que nada me causava medo. Hoje eu tenho medo até de mim.

O que foi escondido é o que se escondeu. E o que foi prometido ninguém prometeu. | Detesto promessas com todo fervor que se pode detestar algo. Deve ter sido a educação que tive, ou o bom senso que desenvolvi lendo montoeiras de livros, mas se eu prometo, eu cumpro. Se disse que faria tal coisa em tal hora, eu posso estar no inferno e mesmo assim vou dar um jeito de sair de lá e cumprir o que prometi. O ruim disso é que eu só conheço duas pessoas parecidas comigo nesse aspecto - por que não se faz mais pessoas assim? Expectativas, odeio-as.

Somos tão jovens... Tão Jovens! Tão Jovens! | E temos uma cabeça tão velha.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Piscina de plástico

Não tenho tido muita inspiração desde a última postagem. Isso se deve ao fato de eu ter dedicado o meu vasto tempo amontoando aspirações internas na cabeça e no coração. Seleciono as melhores, acaricio a capa e vou ordenando na prateleira. Daí fico inerte. Tenho vivido momentos ótimos com pessoas ótimas. E a alegria é por vezes alienadora de palavras. Daí fico muda. Não tenho também muita vontade de escrever o que se passa porque, sendo neste instante um pouco egoísta, prefiro degustar das situações sem repartir. Possuir sem de fato tê-las, embora sejam minhas. Igual a piscina de plástico que eu tinha na infância e que não era minha. Eu brincava sozinha.

"Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim." Renato Russo

"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo." Mário Quintana

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la." Clarice Lispector

terça-feira, 29 de março de 2011

Em Taquara não se pode querer muito

Em outros tempos, eu pediria de volta as mais de 5 horas que eu perdi assistindo ao Carnaval de Rua de Taquara. Hoje, eu vou fazer de conta que gostei da mesma forma que quem estava na Júlio de Castilhos fingiu estar na festa mais popular do país. Não sei o que o público estava aguardando, tamanha a sua perplexidade diante dos blocos que desfilaram. Se estavam esperando a comissão de frente da Unidos da Tijuca ou o trio elétrico da Ivete Sangalo, só lamento, mas não é em Taquara que vão encontrá-los. É preciso desembolsar uma quantia nada modesta e viajar algumas milhas pra se ter aquilo que tem de graça na televisão.
Se fôssemos dar notas ao carnaval taquarense, o resultado seria nada animador. Aliás, tão desmotivador quanto a participação do público que se fez presente – de corpo, porque de alma vai ficar para o próximo Carnaval. Nota zero para samba no pé e sorriso no rosto a quem assistiu ao evento como se tivesse em pleno desfile de 7 de setembro. Nota zero também para a educação dos pais que levaram menores de 12 anos pra festa. Além de deixá-los dispersos pela rua, não tiveram dó alguma das crianças de colo, que a essa altura devem ter uma perda auditiva desconfortável e irreversível. Pobres anjos que, na onda da imprudência de quem não sabe educar, se prejudicam sem consentimento.
Falta de bom senso, aliás, foi marca registrada desse Carnaval. Atraso para iniciar o desfile, porque a pontualidade a gente deixa para os britânicos. Intervalos entre as escolas maiores do que o percurso todo, porque quem espera sempre alcança. Pessoas caminhando na pista, porque a educação a gente deixa em casa. E, pelo que vi, apenas quatro policiais da Brigada Militar, os quais ou caminhavam em quarteto ou em dupla, porque, você sabe, é perigoso andar pela cidade sozinho. Mas, o que conseguiu ser pior desse evento foi o Taxixi. Aquela coisa ridícula que na falta de um bom texto e um locutor que não gritasse no microfone, perdeu o ‘time’ da piada e mandou embora um bocado de gente. Não contentes, ousaram no auge da noite desafiar quem ali ainda estava para uma segunda apresentação que, graças a alguém com noção, não durou muito tempo.
Nota 10 para o pessoal que estava em suas sacadas, curtindo o som com toda animação, como deveriam estar as pessoas que permaneciam mais próximas das escolas no chão. Nota 10 também à Unidos de Sapiranga, que, com bom-humor se apresentou, aproximando-se daquilo que se espera que seja um desfile de Carnaval.
O que fica de lição é que Taquara ainda tem muito que aprender, principalmente no quesito organização e gosto artístico, vide o pórtico alusivo na Júlio – me desculpe quem o fez – de muito mau gosto.

Oh yeah, baby. Esse texto foi escrito e publicado no Jornal  Panorama no mês passado. Não tenho o hábito de postar o que já foi publicado em outros meios, mas eu gostei desse meu texto. Gosto de falar a verdade sobre a minha cidade. #revoltstotal O texto também está disponível em http://www.jornalpanorama.com.br/?p=30019

Ah, gente fina, tem um outro texto que também foi escrito por mim e publicado no Panorama: http://www.jornalpanorama.com.br/?p=16887 Este eu fiz em 2010 em um momento TOTALREVOLTS.


e só pra constar, eu tô tão bem como há muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tempo não ficava. tchurururu.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Racionalizando a dubiedade

Eu não tenho cara de quem escuta Britney Spears. Duas pessoas me disseram isso nessa semana. Pude perceber a partir disso três proposições: 1ª - eu sei disfarçar muito bem; 2ª - eu devo ter cara de que gosto de coisas que não gosto; 3ª - as pessoas não me conhecem. Cara, eu e a Brit somos como unha e cutícula. Não dá pra ver, não? Eu já escrevi aqui no blog sobre os meus gostos musicais ecléticos. Fiz isso com a intenção de precaver qualquer mal-entendido ou decepção futura quanto a minha pessoa. Ler o que eu escrevo pode ser útil para quem quer olhar para mim sabendo - supostamente - quem eu sou. Digo supostamente porque nem tudo que eu escrevo significa o que você lê. - E pelo visto, além de escrever em códigos, eu aparento códigos errados. - Inclusive, tenho postagens que só não apago por preguiça e apego ao momento de que me refiro. Mas seria melhor que o fizesse para não aborrecer pessoas que considero queridas e que possam não me querer mais por perto justamente por má interpretação. A maior parte dos textos daqui é ininteligível para quem não me conhece e pode até parecer um tanto sujo. Mas, não, não sou falcatrua. E não minto também. Leia-se e entende-se: não sou falcatrua e não minto. É bem isso, sem anáforas ou metáforas.
Não gosto de que me pergunte o que eu quis dizer em tal postagem. Ora bolas, se não ficou claro é justamente porque eu não queria que ficasse. Semear a plantinha da desconfiança textual, essa é a intenção. Tudo isso não passa de uma grande brincadeira nas entrelinhas. Mas não é por isso que você deva me levar na brincadeira. Eu aí com você sou eu como você. Eu aqui para você sou eu diferente de mim com você. Sacas?



Assuntos aleatórios

Para a minha felicidade, o melhor álbum de 2011 já vazou e se chama Femme Fatale. Não gosto do nome, acho que On The Floor seria o título mais adequado devido ao som diferente e eletrônico. A dona da arte é a minha Britoca adorada. E como ela sabe que estou ansiosa pra ter o cd físico (sim, eu compro cd), Miss Britney Bitch fez questão de vazar trechos de quatros músicas da versão deluxe do álbum. He About To Lose Me parece ser a melhor faixa dentre elas. #queroouvirinteira Enfim, são 16 faixas excelentíssimas em um mesmo produto, coisa que nunca tinha visto (ouvido) e vou levar mais 22 anos para ver (ouvir) alguém repetir a façanha.

Ah, antes tarde do que nunca e esquecida como sempre: não sei se já comentei, mas meu brother Luan Roberto Augusto, vulgo chefe do David Coimbra, insiste em criticar a falta de parágrafos nas minhas postagens. Eu sei que eles existem, mas me reservo o direito de não permitir a entrada e permanência dessa regra básica na vida literária. E explico o porquê: meus pensamentos não tem parágrafos, mal e porcamente tem letras maiúsculas - hoje por sinal, tenho mais letras maiúsculas do que os habituais travessões. E acima de tudo, meu blog não é portal de notícias. #REVOLTSTOTAL.


"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem." Millôr Fernandes

"Há pessoas desagradáveis apesar das suas qualidades e outras encantadoras apesar dos seus defeitos." François La Rochefoucauld

domingo, 6 de março de 2011

sinto a brisa da vida outra vez

Ao som de Liquor Store Blues, muito bem cantada por Bruno Mars na companhia de Damian Marley, inicio e termino mais uma postagem, porque o repeat bomba no meu media player. Well, o que eu posso compartilhar aqui que não me comprometa? Na verdade, nada. No cerne da verdade, eu, se não quisesse me comprometer, manteria o meu anonimato e não um blog. Mas eu gosto do gosto do perigo. Rá. Nos últimos dias ele me cercou, depois do carnaval ele vai me atacar. Estou sabendo. O perigo. É tão divertido esperar por ele. Eles. Ano passado foi tão abatido nesse quesito - que eu não vou explicitar. Pela prévia da semana passada, 2011 vai dar conta por ele mesmo e pelo que não aconteceu em 2010. O perigo. Muito ouvi sobre a volta de alguém, mas voltar que é bom: nada. Atrevido que só, o mesmo divulgador do regresso afirmou que o alguém está contratado e prestará o serviço. Veremos. Nos veremos, depois de um ano. Data simbólica, que bonito. O perigo. Esse outro, o segundo - são vários de escalas diferentes - eu vi ontem, e veja só, (em rumo a fim de encontrar um outro perigo) acabei identificando o corpo em movimento em plena ciclovia hoje. Era ele. O perigo. É por essas e outras que o destino é meu amigo. Nada de coincidências ou acasos. Fatos. O terceiro, aquele que estava afim de encontrar é o mais fofuxo perigo - hahahaha, por fofuxo você não esperava de mim, né? Pois é, eu acho ele fofuxo. Daqueles perigos que a gente quer, aqueles que não doem. Acho que ele pode ser uma grande surpresa na minha boring life - que agora com os periguinhos tá bem rocks, not boring. Acho também que ele podia agilizar o processo e combinar a saída pro sorvete. Não precisa ter medo, eu não sou o perigo e os meus outros perigos não te ameaçam.


♫ I’ll take one shot for my pain
One track for my sorrow
Get messed up today
I’ll be okay tomorrow ♪ 
Liquor Store Blues (ft Damian Marley)

"Antes de buscarmos o perigo, torna-se indispensável prevê-lo e temê-lo; mas, quando estamos metidos nele, só nos resta desprezá-lo." François Fénelon 

"O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real." Daniel Defoe

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

22 dias depois

O mundo é assustadoramente minúsculo. Fantasticamente imprevisível. As pessoas instintivamente são paranóicas. É o jeito de se defender. Por isso, viver - para quem pensa - dói. Eu sei. E tem doido. Em tão pouco tempo tenho me percebido produtora de pensamentos fantasmagoricamente fascinantes sobre quem ele é e quem eu sou. E como reajo a tudo isso. Reajo pensando. Eu penso em pensar pensando porque eu penso. Metalinguístico. Eu levei 22 anos pra conhecer alguém que eu vejo há 24 dias. Até aí tudo bem, o que não é bom é vê-lo quando vê-lo seria impensável. Ele ronda. Presença insultante. E daí vem a pior das perguntas: quantas vezes fez isso sem que eu soubesse que um dia eu saberia quem ele é?. Às 17h do último dia da semana no mesmo lugar. Tudo bem. Às 17h do dia seguinte no lugar mais improvável, na situação mais inusitada, não. E o pior dos acontecimentos: duas vezes no mesmo dia quando eu estava ali, dobrando em esquinas que não são as minhas, percorrendo uma rota improvável. Não quero. Não gosto. Isso deixa a minha sanidade em estado de calamidade. Vamos deixar a perturbação pro sábado, ok? Vorazmente eu não quero mais esses acasos propositais do destino.

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido." Fernando Pessoa

"They will not force us
They will stop degranding us
They will not control us
We will be victorious"  Uprising - Muse

domingo, 30 de janeiro de 2011

Só falta a recompensa

A panturrilha daquele ser é coisa de jogador de futebol. Claro, ele jogava. É gremista. Fiquei sabendo. Quem me disse? ELE. Simples assim. Não, não foi tão simples assim. Sete é meu número favorito. Será o dele também? Ainda não sei. Só sei que foram sete dias, de domingo à hoje (é sábado enquanto escrevo e será domingo quando publicado), todo santo dia, eu fui lá esperá-lo sem ele saber. Sem saber quem ele era. Sem saber se ele voltaria. Sem saber o que eu fazia. Loucura. Meu apelido deveria ser Punky - a levada da breca. Sério. Bem, estavámos, Lu e eu, sentados no sagrado banco no parque, cujo o espaço comportava o tédio e uma pista vazia. - Onde está o pessoal da semana passada, Lu?. Na verdade, pouco me importava onde estavam, o que eu queria saber era onde ELE estava. Afinal, esteve ali há 7 dias, poderia voltar, não? Passaram duas horas e avistamos a água no deserto. Sim, alguém se aproximava da pista de corrida, correndo. Era um moço que não é baixo  nem alto, não é novo nem velho, não é Fernando nem Maurício. É Carlos. Descobri. Sim, era ELE. - Lu, ele voltou! É ele! Meu Deus!  -Sim, Bruna, é ele. Caramba, eu o reconheci. Gente, eu não esqueci. Aplausos para mim. Por essa eu queria, mas não esperava - o alzheimer esqueceu de mim. E as minhas pernas pareciam fazer o mesmo. Quanto mais ele se aproximava, mais elas, que são compridas e grossas, se amoleciam. Cara, pernas bambas e risadas compulsivas é sintoma de alguma coisa sentimental do tipo paixonite de 15 anos? Então, diagnostiquei tal fraqueza. Há quanto tempo não sentia isso! E a coragem, tá no bolso? Bem, o plano tava, e diga-se de passagem, estrategicamente anotado e autografado. E a coragem pra executar o plano, tá aonde? Não sei. Partir para o plano B quando o plano A parece idiota é o melhor a se fazer. Caminho para um lado, ele corre para o outro. Paro para caminhar para o outro, ele faz o mesmo. Difícil, hein!? "Não posso perder a oportunidade de novo, né?", era o meu mantra. "Opa, ele tá indo tomar água, logo, irá embora", era o meu pensamento dizendo pra eu fazer alguma coisa antes de me arrepender pela inércia. - Posso falar contigo?, eu me apropriando da função fática, como um rompante para a minha invisibilidade. - Pode. Cara, mesmo se não pudesse, eu falaria. Ou era ou era. Mas sou educada, e ele pareceu ser também. Nada de gírias babacas, nem grosserias. Apenas minhas respostas idiotas e ele falando como se me conhecesse há uma semana. Irônico, não? Falava como um jovem, mas parecia não se sentir como tal. - Não, não estou falando de mim. Apesar de ser coisa minha também. -  Gosta de esportes, e não aprecia multidões. Toma cerveja mas ingere mais refri. Sim, ele me disse. Bem, foram algumas coisas esparsas e estranhas para apenas uma volta conversando. Por fim, o que se sabe é que ele sabe o meu nome, o qual vai esquecer até amanhã, opa, já esqueceu. Fácil, fácil. Isso não tem importância, teremos tempo e voltas pra deixarmos de ser o desconhecido procurado e a Punky, a levada da breca que executa o plano B e não percebe se as indiretas dadas foram captadas, decodificadas e entendidas.

"All the crazy shit I did tonight,
Those would be the best memories"


"Há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer." Carlos Drummond de Andrade

"Eu prefiro o difícil, o impossível, o inesperado, e só." Clarice Lispector

"Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira." Carlos Drummond de Andrade

domingo, 23 de janeiro de 2011

O dia depois de ontem

Cheguei lá antes do que havia prometido a mim. Pouca gente. Era cedo demais pra você estar lá. -Tudo bem, eu espero. Afinal, eu sou um poço de paciência. E de esperança. 16:20. 17:20. 18:00. Nada. Só a vaga lembrança esbranquiçada e quase esquecida pela empolgação. Quem é você mesmo? Te reconheceria? De ontem só havia três pessoas repetindo o repertório. E você, repete? Quanto a mim, vou continuar tentando. E você, por favor, continue correndo lá aos sábados entre 17h e 18h. Obrigada. 

PS: Ah, acordei com uma dor no peito, daquelas de coração em caquinhos. Há tempos não sentia isso. Ninguém provocou isso tão rapidamente. Só pode ser coisa minha.

"Não há nenhum lugar nessa terra tão distante quanto ontem." Robert Nathan

"Trocaria todos os meus amanhãs por um único dia de ontem."  Janis Joplin

Procura-se você, um desconhecido

Por você que surgiu na mesma força com que desapareceu, na frugalidade do tempo à toa. Não contei quantas voltas foram. 7 no máximo. Run, run. E vupt. Sumiu. Tem jeito de Marcelo. Mas pode ser Maurício ou Fernando. Capricorniano ou leonino. Advogado ou desempregado. Comprometido ou desiludido. 23 ou 36. Suado. Bastante. Eu disse que havia gostado, e me disseram "vai lá falar com ele". Como assim? Que coisa deselegante. Mas o que a gente faz quando passa por alguém e sente algo que não sabe o que é, mas gosta de sentir? E se esse alguém fica circulando, circulando? Me tentando, me tentando. Era muito. Demais, tanto que não o esperava. Difícil. Corria e percebia. Parou, tirou a camiseta. Exibido, mas é o meu número. -Ele foi ousado. Provocador. Tá indo embora, vamos ir atrás dele para ver onde mora. -Não, ele vai pensar que vamos assaltá-lo. Bem capaz, no máximo roubar o coração dele e apresentar o meu. Uma troca justa. Pronto, foi embora pra nunca mais. Não creio! Voltou. -Viu, ele sacou. Meia volta. Sorriso de meia boca. Ele olhava e não me via. Disfarçava. Se fazia. Se foi. Pedala, Bruna. Alongamento. Dele. Puft, poderes de invisibilidade. Fiquei eu comigo mesmo - companhia de sempre. Era mais um sábado qualquer. Não foi. Era mais uma peripécia no verão: sorvete de abacaxi, 2 litros para dois amigos. E você. Não, quem corre não quer isso. E quanto a mim, seria que queria? Um dia, talvez. No parque? Na vida? Amanhã ou daqui 11 anos, 4 meses e 13 dias? Eu lembraria de você? Não. Eu não queria esquecer, mas acontece. Houve um delay de 5 segundos para eu chegar até você. Droga. E estávamos no mesmo lugar. Conclusões precipitadas: ele entrou naquele carro. Descobre a placa! Feito. Ei, vai por ali que eu vou por lá. Lá se foi com mais alguém. Segue. Vai atrás. Pedala e não cansa. Opa, cadê? -Aquela loira me deu oi. Ali, ali está. Vish, está voltando. -Vamos ver se é ele mesmo. Iiii, não é. Não era. Se foi pra onde? Volta. Pedala e não desiste. Amanhã ele deve voltar na mesma hora, não? Será um atleta assíduo ou um cidadão espantando o tédio sem pretensões olímpicas? Preciso te apresentar um catálogo das minhas intenções. Coloridas, texturizadas e contextualizadas. Sem plágio. Sem garantias. Onde te encontro? Como me apresento? Não o faço. Esqueço. Repenso. Voltar amanhã, te ver e não fazer nada é melhor do que não ir. Talvez. E a loira, quem era, Lu? Isso daria uma boa fotografia. Abstrusidades*. Eu tenho um plano pra que você leia isso que fiz pra você. Amanhã, a partir das 15:30. Aliás, já é hoje.

*Falta de método, de ordem; confusão.


"Melhor calar um sentimento a manifestá-lo a quem não sabe compreendê-lo." Autor desconhecido

"O verdadeiro querer não sofre de ansiedade, pois sabe que a vida responde na hora certa." Autor desconhecido

"Pisa.
Mas quando eu levantar, corre."
Autor desconhecido




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