sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Xenofobia ou Brasilfobia?

Deveria ter postado ontem, mas assim como os órgãos públicos não cumpri com meus prazos. Paradoxal, não? Estou pré-gripada e olhando um filme americano chamado Turistas, dirigido por John Stockwell em 2006. Em resumo, o enredo é sobre como nós brasileiros somos canibais, 100% negros, a toas na vida, mal educados e como expressamos nosso carinho por turistas - matando-os. Singelo, não? Se fosse filmado hoje poderia incluir o nosso bom senso político, deputados trabalhando em época de eleição na Câmara e jogadores de futebol que não estão se transforando em estrelhinhas rebeldes assassinando mocinhas indefesas ou provocando demissão do próprio técnico. Ah, não? Não é assim? Poxa, então o filme errou no enredo e a nossa história real pode ser bem pior? Interessante.
O filme tem sua temática como sendo no Rio de Janeiro, mas foi gravado em Ubatuba (SP) - tipo, Rio e Ubatuba são super parecidos, a começar pelo Cristo Redentor que tem nas suas cidades e é mais visitado em São Paulo. ¬¬ HAHAHAHAHA pegadinha do Mallandro! Como ousam nos ferir com tamanho mau gosto pra escolha de cenário? Nada contra a cidade, pois nem conheço, mas poxa, se vão gravar em SP então assuma que a história passa lá.
Outra coisa ridícula é saber que deixaram gravar um filme desses, onde o próprio país é denegrido. Só por causa de dinheiro.
- Então, nós estamos querendo mostrar o tráfico de órgãos que acontece livremente no Rio de Janeiro, será que vocês aí de SP sediaram o espaço para o set de gravação?
- Deixa-me ver se entendi. Vocês querem filmar a história de americanos sendo torturados no Brasil? Ok, não vejo problema algum. Passe a grana pra cá e façam o que quiserem. - a suposta conversinha amistosa entre produtores e políticos sobre financiar a sétima arte no Brasil.

No G1, saiu em 2006 uma matéria sobre o filme, a qual eu concordo, dizendo que “Se burrice fosse crime, os idiotas desse filme barato estariam presos.” É com essa frase nada simpática que começa a crítica do jornal "The New York Times" a “Turistas", dirigido por John Stockwell. Mais à frente, o texto classifica o longa como “sujo” e “letalmente retardado” e afirma que ele “envolve turistas do Primeiro Mundo que são violentamente punidos por viajar a um país do Terceiro Mundo e toma essa posição política abertamente”. Outro grande jornal americano, o "Los Angeles Times" também torceu o nariz em sua crítica: “mais da metade do longa é construído em cima de idéias idiotas”. O jornal ainda disse que “o cenário brasileiro estereotipado, com caipirinhas rolando soltas e gatinhas de biquíni, se encaixa naturalmente no gênero terror-adolescente, que no fundo é enraizado na noção puritana de punição”. O texto termina com a seguinte frase: “ ‘Turistas’ é mais a encarnação do que uma crítica à paranóia xenófoba”. [a tempo de explicar, xenofobia significa aversão aos estrangeiros.]


Ah, o Brasil. Meu Brasil, brasileiro. Americano, europeu, asiático, africano, canibal, corrupto, ladrão, vendido, mostra a tua cara. O que Renato Russo cantaria pro Brasil de hoje, se nos anos 80/90 perguntava que país é este? Naquele tempo era bem menos pior do que é hoje, mas já merecia a canção. Por falar em música, o filme Turistas começa com a somzera muito representativa de Marcelo D2 (me poupe) e termina com a totaldeprê Adriana Calcanhoto cantando Fico Assim Sem Você. Ah, que bonito. Eu fico assim, p da vida vendo essas coisas. ¬¬ A gente tem coisa bem melhor aqui, por exemplo, Claudia Leitte, Parangolé, Gino & Geno. Ah não? Não, né. É melhor ficar sem trilha ou quem sabe um sambinha esperto só na base do pandeiro? Axé, pagode e sertanejo a gente deixa para a abertura da Copa em 2014. Tenho medo disso.

Meu medo não é só pela escolha musical da futura festividade, mas por eu imaginar a quantia em dinheiro enlouquecedora que será desviada para as obras de castelos nos canfundós do Brasil antes da Copa de 2014. E depois, na preparação das Olimpíadas de 2016, para fazer um puxadinho de 3 andares em cada obra faraónica já antes construída. Vão ser eventos e tantos. Não os esportivos, mas a nos castelos e seus puxadinhos. É bom ir se filiando algum partido qualquer, quem sabe dê pra garantir os convites pras festas.

Peraí, os personagens dos filmes passam por uma favela plana. Como assim? Cadê aquele amontoado típico das favelas? Aiaiai. Eles querem deixar o Brasil bonito.


"Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação." Charlie Chaplin


"O Brasil é uma nação de espertos que reunidos formam uma multidão de idiotas." Gilberto Dimenstein


"As pessoas estão se afastando do cinema por três motivos: a violência, os preços e os filmes."  Ediel

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