sábado, 30 de outubro de 2010

Te espero na porteira

Finalmente consegui ouvir as novas músicas dos meus amados Victor & Leo, que lançaram o álbum Boa Sorte Pra Você nesse 29/10/2010. Gravado em estúdio, melancólico e bem depressivo. Enfim, não difere do que é o álbum Borboletas lançado em 2008.

 Já fazia tempos que pensava ligar para uma pessoa que nunca me liga. É aquela história da Montanha e Maomé. Hoje evoquei o Maomé e a vergonha na cara e teclei os respectivos números pra chamar a Montanha. Demorou uns segundos, e a Montanha atendeu já sabendo que Maomé estava na linha. Prontamente se pôs a conversar durante 10 minutos e acabar com os meus míseros bônus. Ok. Já se foram mais de 7 meses, é compreensível que se passe 10 minutos no telefone como se fosse 1 minuto e meio. Quando eu tinha 1 minuto e meio parecia 5. É aquela história de dar valor pras coisas ou pessoas depois que elas acabam ou vão embora. A conversa foi feliz. Mas depois que a gente desliga parece que nada foi dito. É um vazio bem estranho. O mesmo que eu sentia quando tinha os 90 segundos. Foram-se anos e até hoje parece que nada foi dito. Ou não foi entedido. Entende?

"Era dia/Seu cabelo sob o sol/Reluzia
Feitos os olhos de um farol/Eu sabia/Era ela e ninguém mais
Que faria/Esse bem que ninguém faz"


"Vou te esperar naquela porteira/Na beira da beira da noite
Vou te chamar/Vou pedir pra vê-la/Na primeira estrela quando ela brilhar

Fica combinado assim: Te dou a lua do sertão/Você me dá você pra mim"

"Minha linda, meu amor, meu sabor, minha vida/Flor do campo, te desejo
Deixa eu te cheirar/Eu não sei falar de outra coisa a não ser de amor
Perdoa se o que tenho pra oferecer é só amor
Eu só quero você e que você me queira"


Letras das músicas Quando é amor, Mari Marina e Flor do campo de Victor & Leo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eu nunca fiz o que eu vou fazer

Eu quero fazer o que eu nunca fiz. Jogar boliche, frescobol e hóquei no gelo. Fazer um tour pela Europa. Pedalar na beira do Guaíba, visitar o Cow Parade, torcer pelo Grêmio no Olímpico. Eu quero contar novidades boas praqueles que eu só conto coisa velha. Aprender um novo idioma, ter um novo emprego e dirigir um conversível em uma estrada sinuosa e deserta. Ah, eu também quero brincar de carro-choque outra vez e participar de uma corrida de kart. Chegar perto do céu. Saltar de asa-delta, bungee jumping e paraquedas.

Eu quero que alguém me ensine o que eu não posso aprender sozinha. Eu quero aprender sozinha tudo o que eu posso. Eu quero poder mais do que faço e fazer tudo que eu quero. Eu quero querer menos do que quero. Eu quero pensar diferente pelo menos um dia. Ficar sem mim por algumas horas e me divertir com meu outro eu. Comer sem engordar, dormir e não sonhar. Eu quero respeito, verdades e fé. Jogar videogame dos anos 90, tomar banho de piscina até murchar. Entender todos os filmes que assisto e ler mais rápido os livros empilhados na minha estante. Eu quero que as pessoas se entendam, e me entendam. Eu quero não precisar entender as coisas pra saber como são.

Eu quero passe-livre em parques de diversão. Visitar pela primeira vez um parque aquático. Eu quero enxergar o mundo sem óculos. Eu quero saber falar sem gaguejar e não me irritar com carros de propaganda sonora em sábados de manhã. Eu quero o fim desses carros. Dos altos salários de políticos, de gente preconceituosa, de horário fixo nos empregos. Eu quero pessoas mais flexíveis. Eu quero tudo isso em uma vida só. Eu sei que não posso ter tudo que quero, mas eu ainda posso querer.



"Rotina não é fazer sempre a mesma coisa, mas fazer a mesma coisa sempre do mesmo jeito." Joel de Sousa

"Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém." Charles Chaplin

"Percorra caminhos que não caminhara antes,
Procure inovar tua vida, e saia da rotina.
É através de novidades que o mundo gira."
Jhonantan Freire


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Xenofobia ou Brasilfobia?

Deveria ter postado ontem, mas assim como os órgãos públicos não cumpri com meus prazos. Paradoxal, não? Estou pré-gripada e olhando um filme americano chamado Turistas, dirigido por John Stockwell em 2006. Em resumo, o enredo é sobre como nós brasileiros somos canibais, 100% negros, a toas na vida, mal educados e como expressamos nosso carinho por turistas - matando-os. Singelo, não? Se fosse filmado hoje poderia incluir o nosso bom senso político, deputados trabalhando em época de eleição na Câmara e jogadores de futebol que não estão se transforando em estrelhinhas rebeldes assassinando mocinhas indefesas ou provocando demissão do próprio técnico. Ah, não? Não é assim? Poxa, então o filme errou no enredo e a nossa história real pode ser bem pior? Interessante.
O filme tem sua temática como sendo no Rio de Janeiro, mas foi gravado em Ubatuba (SP) - tipo, Rio e Ubatuba são super parecidos, a começar pelo Cristo Redentor que tem nas suas cidades e é mais visitado em São Paulo. ¬¬ HAHAHAHAHA pegadinha do Mallandro! Como ousam nos ferir com tamanho mau gosto pra escolha de cenário? Nada contra a cidade, pois nem conheço, mas poxa, se vão gravar em SP então assuma que a história passa lá.
Outra coisa ridícula é saber que deixaram gravar um filme desses, onde o próprio país é denegrido. Só por causa de dinheiro.
- Então, nós estamos querendo mostrar o tráfico de órgãos que acontece livremente no Rio de Janeiro, será que vocês aí de SP sediaram o espaço para o set de gravação?
- Deixa-me ver se entendi. Vocês querem filmar a história de americanos sendo torturados no Brasil? Ok, não vejo problema algum. Passe a grana pra cá e façam o que quiserem. - a suposta conversinha amistosa entre produtores e políticos sobre financiar a sétima arte no Brasil.

No G1, saiu em 2006 uma matéria sobre o filme, a qual eu concordo, dizendo que “Se burrice fosse crime, os idiotas desse filme barato estariam presos.” É com essa frase nada simpática que começa a crítica do jornal "The New York Times" a “Turistas", dirigido por John Stockwell. Mais à frente, o texto classifica o longa como “sujo” e “letalmente retardado” e afirma que ele “envolve turistas do Primeiro Mundo que são violentamente punidos por viajar a um país do Terceiro Mundo e toma essa posição política abertamente”. Outro grande jornal americano, o "Los Angeles Times" também torceu o nariz em sua crítica: “mais da metade do longa é construído em cima de idéias idiotas”. O jornal ainda disse que “o cenário brasileiro estereotipado, com caipirinhas rolando soltas e gatinhas de biquíni, se encaixa naturalmente no gênero terror-adolescente, que no fundo é enraizado na noção puritana de punição”. O texto termina com a seguinte frase: “ ‘Turistas’ é mais a encarnação do que uma crítica à paranóia xenófoba”. [a tempo de explicar, xenofobia significa aversão aos estrangeiros.]


Ah, o Brasil. Meu Brasil, brasileiro. Americano, europeu, asiático, africano, canibal, corrupto, ladrão, vendido, mostra a tua cara. O que Renato Russo cantaria pro Brasil de hoje, se nos anos 80/90 perguntava que país é este? Naquele tempo era bem menos pior do que é hoje, mas já merecia a canção. Por falar em música, o filme Turistas começa com a somzera muito representativa de Marcelo D2 (me poupe) e termina com a totaldeprê Adriana Calcanhoto cantando Fico Assim Sem Você. Ah, que bonito. Eu fico assim, p da vida vendo essas coisas. ¬¬ A gente tem coisa bem melhor aqui, por exemplo, Claudia Leitte, Parangolé, Gino & Geno. Ah não? Não, né. É melhor ficar sem trilha ou quem sabe um sambinha esperto só na base do pandeiro? Axé, pagode e sertanejo a gente deixa para a abertura da Copa em 2014. Tenho medo disso.

Meu medo não é só pela escolha musical da futura festividade, mas por eu imaginar a quantia em dinheiro enlouquecedora que será desviada para as obras de castelos nos canfundós do Brasil antes da Copa de 2014. E depois, na preparação das Olimpíadas de 2016, para fazer um puxadinho de 3 andares em cada obra faraónica já antes construída. Vão ser eventos e tantos. Não os esportivos, mas a nos castelos e seus puxadinhos. É bom ir se filiando algum partido qualquer, quem sabe dê pra garantir os convites pras festas.

Peraí, os personagens dos filmes passam por uma favela plana. Como assim? Cadê aquele amontoado típico das favelas? Aiaiai. Eles querem deixar o Brasil bonito.


"Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação." Charlie Chaplin


"O Brasil é uma nação de espertos que reunidos formam uma multidão de idiotas." Gilberto Dimenstein


"As pessoas estão se afastando do cinema por três motivos: a violência, os preços e os filmes."  Ediel