segunda-feira, 1 de março de 2010

Convalescença

A primeira postagem nesse blog aconteceu numa terça-feira entediante das férias de verão de 2009. Dia 20 de janeiro. Eu tinha um porquê, tinha o que dizer, e principalmente, eu queria me ajudar. Se disse tudo? Se me ajudei? Não sei. Talvez tenha me automedicado e me curado momentaneamente. Hoje o diagnóstico é outro. Por isso volto aqui. Pra me ajudar? Ou pra descobrir o que me abate? Não sei. Tem como se ajudar sem saber o que se sente?

Os problemas que rotineiramente me acometiam esvairam-se. Não é fome, nem falta de numerário, não é a faculdade, nem família, nem emprego. Não, não é. É o quê? Vem lá de dentro. Dentro de onde? Da cabeça? Não. Do coração. É paixonite aguda? Não. Talvez seja a falta. De encantamento na vida. Isso também surge de dentro, como busca isso fora? Não busco. Espero que me busque. Não seria melhor não esperar e ir a luta? Eu fui da outra vez, e olha onde cheguei - na mesma.

Tenho me sentindo estranha. Como? De um jeito como se não pertencesse a este lugar. À sua cidade? Não, a mim mesma. Não gosto de não saber o que me incomoda, essa aflição, toda essa ansiedade de sei lá por quê. Aguardando algo? Guardando só. Muitos papéis. O medo do Alzheimer, tenho desde os 18 anos. Cansada da vida? Não, só tentando entender como os humanos se comportam. E como é? Em sua maioria, bem diferente de mim. Ou você deles? Os dois.

Sou um tanto molecona e ao mesmo tempo carrego uma baita responsabilidade nos meus sombros caídos. Te doem? Só os olhos. que estão intimamente ligados com o coração. Vejo e dói. Pra onde olhas? Pro lado bom. E o que encontras? O ruim. Há um jogo de interesses quando se é bom por muito tempo com pessoas que você se relaciona por obrigação. Chamam isso de coleguismo. Eu chamo de falsidade. Estão sendo falsos com você? Talvez. Mantenho a distância pra não ter esse desvio de comportamento sobre mim. Mas me incomoda muito ver os outros agindo assim e, são tão (pseudo)felizes

Teu problema são as pessoas? Não. Mas o que elas transvestem quando saem de casa. As marionetes pintadas com quilos de maquiagem e panos coloridos pra chamar atenção dos brotos que acordam pensando na carne nova que vão digerir. Pra mim são todos iguais. Dá pra ser bonito sem maquiagem e roupas fashions e sapatos salto agulha 15, sabiam? Acho as pessoas até mais belas quando mostram quem são, suas sardas e cicatrizes - e os pés no chão. Acho ridículo ter que fazer parte de alguma tribo pra ter com quem se relacionar. Isso é tão preconceituoso, e demonstra tanta fragilidade e carência - o oposto do que pretendem. E ser igual é tão convencional. Mas se acham tão modernos. Pra mim são fúteis e caretas - os estilosos-super-mega-na-tendência curtindo uma vibe-hiper-rock'n'roll enchendo a cara de ceva-tri-gelada-pra espantar-a-tristeza-que-não-sabem-lidar.


A lucidez é tão enlouquecedora com um copo de água mineral que eu não cometeria o engano de perdê-la sem decodificá-la aqui.




Ao som de Interlude Waste Management - t.A.T.u.

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