segunda-feira, 29 de março de 2010

do que parece ser mais conforme com a razão

Eu gosto tanto de coisas que, há no máximo 3 anos, eu detestava. Puro preconceito bobo de gente que acha tudo brega. Brega era eu por ter esse pensamento. Exemplificando: sertanejo era música de corno e filosofia era assunto de gente desequilibrada. Não sei se virei corna e desequilibrada ou se permiti ampliar o meu conceito sobre o que é bom pra mim e não o que é bom para os outros pensarem bem de mim. Caramba, eu a-do-ro um sertanejo universitário, batida ótima e letras supimpas. Mas não deixo de ouvir Red Hot Chili Peppers por causa de um possível conflito musical-ideológico. Também me divirto filosofando, divagar é um hobby - mas de preferência sozinha. Preconceitos raciais, religiosos, socioeconômicos e de orientanção sexual não cultivei - talvez quando criança tenha tido um filete disso, mas cresci e vi que somos iguais, certo? Não, não somos iguais e eu sei ser tolerante com as diferenças. Me orgulho muito de ser paciente e tolerante, analiso com frieza o que me rodeia - desde pessoas, lugares até música, literatura e afins. Depois disso pesco o que me deixa bem, o que sobra deixo de lado - quem sabe daqui alguns ano seja bom pra mim. As pessoas 'normais' tem sérios problemas com quem é eclético. Me digam qual é o problema de escutar Lady Gaga e Victor & Leo? Não se pode gostar de Martha Medeiros e Schopenhauer ao mesmo tempo? Pode-se ter otimismo contido e o pessimismo da realidade exarcebado? Poxa, a vida não é uma coisa só. Ecleticismo já. Adoro misturar tudo, ter o direito de ouvir qualquer ritmo, ler qualquer corrente de pensamento e criticar a sociedade ora sendo otimista, ora sendo down. Quem escuta Hugo Pena & Gabriel não tem capacidade de entender a modernidade líquida conceituada pelo Zygmunt Bauman? Só os rockeiros são modernos e da hora? Eu uso All Star, jeans, sou rebelde às vezes, não bebo, não fumo e adoro Jorge & Mateus. Que tipo de gente eu me enquadro? Indie, emo, paty, rockeira, brega? Gente não se enquadra. Gente tem permissão de ir e vir para onde e quando quiser. Se você for emo hoje, será emo sempre. Que papo fora de moda, como se as pessoas não tivessem o direito de mudar. De ser várias. "Você precisa se manifestar, escolher o que você vai seguir pela vida toda, elaborar seu discurso sobre tudo. Você precisa ter opinião formada e não trair suas escolhas. Precisa ter personalidade." Pronto, você também não precisa nascer. Ser essa máquina falida. O planeta já está repleto de robôs corrompidos por essas afirmações que te obrigam ter. Não digo que se deve ser diferente, pois isso já somos. Só peço para mostrar essa diferença e não ter vergonha de ser quem é.

"Ser eclético não é comportar tudo. Ser eclético é buscar o que há de bom em tudo" Anônimo

"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais." Bob Marley

"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor." Henry Thoreau 

"Tô de olho na estrada esperando você
Coração tá preparado pra te receber
Tô usando o perfume que você adora
E a canção que você gosta tá tocando agora"
Só Falta Você - Jorge & Mateus

segunda-feira, 1 de março de 2010

Convalescença

A primeira postagem nesse blog aconteceu numa terça-feira entediante das férias de verão de 2009. Dia 20 de janeiro. Eu tinha um porquê, tinha o que dizer, e principalmente, eu queria me ajudar. Se disse tudo? Se me ajudei? Não sei. Talvez tenha me automedicado e me curado momentaneamente. Hoje o diagnóstico é outro. Por isso volto aqui. Pra me ajudar? Ou pra descobrir o que me abate? Não sei. Tem como se ajudar sem saber o que se sente?

Os problemas que rotineiramente me acometiam esvairam-se. Não é fome, nem falta de numerário, não é a faculdade, nem família, nem emprego. Não, não é. É o quê? Vem lá de dentro. Dentro de onde? Da cabeça? Não. Do coração. É paixonite aguda? Não. Talvez seja a falta. De encantamento na vida. Isso também surge de dentro, como busca isso fora? Não busco. Espero que me busque. Não seria melhor não esperar e ir a luta? Eu fui da outra vez, e olha onde cheguei - na mesma.

Tenho me sentindo estranha. Como? De um jeito como se não pertencesse a este lugar. À sua cidade? Não, a mim mesma. Não gosto de não saber o que me incomoda, essa aflição, toda essa ansiedade de sei lá por quê. Aguardando algo? Guardando só. Muitos papéis. O medo do Alzheimer, tenho desde os 18 anos. Cansada da vida? Não, só tentando entender como os humanos se comportam. E como é? Em sua maioria, bem diferente de mim. Ou você deles? Os dois.

Sou um tanto molecona e ao mesmo tempo carrego uma baita responsabilidade nos meus sombros caídos. Te doem? Só os olhos. que estão intimamente ligados com o coração. Vejo e dói. Pra onde olhas? Pro lado bom. E o que encontras? O ruim. Há um jogo de interesses quando se é bom por muito tempo com pessoas que você se relaciona por obrigação. Chamam isso de coleguismo. Eu chamo de falsidade. Estão sendo falsos com você? Talvez. Mantenho a distância pra não ter esse desvio de comportamento sobre mim. Mas me incomoda muito ver os outros agindo assim e, são tão (pseudo)felizes

Teu problema são as pessoas? Não. Mas o que elas transvestem quando saem de casa. As marionetes pintadas com quilos de maquiagem e panos coloridos pra chamar atenção dos brotos que acordam pensando na carne nova que vão digerir. Pra mim são todos iguais. Dá pra ser bonito sem maquiagem e roupas fashions e sapatos salto agulha 15, sabiam? Acho as pessoas até mais belas quando mostram quem são, suas sardas e cicatrizes - e os pés no chão. Acho ridículo ter que fazer parte de alguma tribo pra ter com quem se relacionar. Isso é tão preconceituoso, e demonstra tanta fragilidade e carência - o oposto do que pretendem. E ser igual é tão convencional. Mas se acham tão modernos. Pra mim são fúteis e caretas - os estilosos-super-mega-na-tendência curtindo uma vibe-hiper-rock'n'roll enchendo a cara de ceva-tri-gelada-pra espantar-a-tristeza-que-não-sabem-lidar.


A lucidez é tão enlouquecedora com um copo de água mineral que eu não cometeria o engano de perdê-la sem decodificá-la aqui.




Ao som de Interlude Waste Management - t.A.T.u.